sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Reparos!

 


Não me consigo habituar à imagem do nosso adro com as oliveiras e o S. Tiago anão! As outras árvores já lá estavam quando o meu padrinho, o Tio Manel do Couto, me levou à igreja para o padre Marques me baptisar e sinto a falta delas cada vez que passo ali na estrada em frente!

Da última vez que por aqui passei (pelo blog) achei estranho tantas visitas (sem comentários) de um blog com muito fraca actividade, há muito tempo. Hoje voltei a clicar nas estatísticas para ver os últimos números e voltei a arregalar os olhos de espanto! Ora vejam as imagens abaixo:



Centenas de visitas, com o Brasil e os Estados Unidos como origem!

O Brasil eu ainda entendo, pois há muitos filhos de emigrantes portugueses que ainda lá vivem e sentem curiosidade sobre as suas raízes que, muitas vezes não sabem quem são, mas se guiam pelos apelidos que têm nos documentos de identidade. Por alturas da II Grande Guerra muita gente emigrou para o Brasil para fugir da miséria "salazarenta", entre eles alguns de Macieira.

A minha avó materna usava o apelido Sousa, este vindo de Balazar pelo casamento de um dos filhos do Sr. Jerónimo Ferreira, meu avoengo. Hoje, em Macieira, são os filhos do Manel do Velho (alcunha herdada da mãe, a Maria do Velho), conhecido taxista dos velhos tempos - foi ele que me levou a Barcelos, em 1955, para fazer o exame da 4ª Classe - que usam o apelido de Sousa, herdado do seu pai, o Tio David do Jerónimo. Há também os Sousas de Penedo (Pitoilos) que não sei se descendem do mesmo ramo ou de outro diferente.

Mas, voltando aos emigrantes do Brasil, um irmão dessa minha avó, assim como um sobrinho, nascido na Lagoa Negra, também foram para o Brasil e sei que vivem lá netos (e quase de certeza bisnetos) desses meus dois parentes próximos. Quem sabe se são esses Sousas que passam por aqui e lêem aquilo que costumo escrever sobre o nosso avô Jerónimo, o seu filho José e o seu neto Joaquim que deram origem à maior família de Macieira, nascida e criada no lugar do Outeiro.

A mina avó Maria de Sousa só teve uma filha (a minha mãe), mas esta teve 12 filhos, 30 netos, outros tantos bisnetos e já conta com meia dúzia de tetranetos! O emigrante que foi para o Brasil, marido da Tia Amélia do Jerónimo, deixou cá uma quantidade de filhos, sendo que o mais novo trabalhou, morou e faleceu aqui na Póvoa, onde deixou a viúva e 3 filhos que gozam de boa saúde.

O Manel do Velho e os seus primos todos formam uma grande família e, pelo lado do pai ou da mãe, vêm da mesma raíz, o Joaquim Álvares de Sousa, avô da minha avózinha Maria da Eusébia (alcunha que herdou da sua mãe, Eusébia de Sousa).

Que vivam os «SOUSA», honra e glória ao nosso avô Jerónimo, o patrono desta grande família!!!

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Os Eiteirais!

 Nem sei se é assim que se escreve o nome daquele lugar remoto, onde se juntam três freguesias, Macieira, Courel e Gueral, e não vive ninguém, pois é lugar de mato, pinheiros e eucaliptos e, talvez, algum animal bravio que ali se esconda. Sardões há muitos, pois os via esticados ao sol em dias de calor, quando passava nos carreiros que me levavam ao meu destino!

Em oposição aos Araújos que é local de terras baixas e alagadiças, já na freguesia de Macieira, talvez o nome verdadeiro seja "Outeirais" e não Eiteirais, uma espécie de meio caminho entre as terras baixas de Macieira e o Monte de Courel (Outeiro), por onde segue o Caminho de Santiago, em que peregrinam os crentes do apóstolo Tiago.

Porque me decidi a falar deste lugar ermo e sem interesse aparente, perguntarão vocês que não sabem o que me vai no pensamento nem conhecem a minha história. Bem, em primeiro lugar por ser Agosto, mês em começam a poder tragar-se algumas uvas americanas que amadurecem antes das outras. Em segundo lugar, porque era nesse lugar, num campo de solo barrento pertença do Júlio de Gueral que corre para norte encostado a um bosque de pinheiros e eucaliptos, que existia uma ramada de videiras americanas, em que se podiam encontrar os primeiros cachos de uvas que faziam as nossas delícias, depois de um ano inteiro à espera.

O meu pai, trabalhador agrícola, passou muito tempo por esses lugares e eu fiz-lhe companhia muitas vezes, ora por gosto ora por obrigação. Zona de poços e minas para armazenar água que fazia falta para a rega de verão, os Eiteirais eram uma espécie de recreio para mim. Descer aos poços e explorar as minas foi o meu desporto, logo que as minhas pernas ganharam a amplitude necessária para pôr um pé em cada parede do poço e descer mudando os pés, ora o esquerdo ora o direito, nas "pégadas" escavadas nas paredes de barro espesso do poço.

Antes de começar a época das regas, era preciso limpar os poços e as minas, de modo que o engenho, puxado por uma junta de vacas, pudesse puxar a água sem problemas. Mais ou menos na mesma época, o meu pai andava nessa mesma zona a arrancar "trepos" (raizeiros) de pinheiro e eucalipto para fazer lenha para o forno de cozer o pão. Primavera e princípio do Verão para rachar os trepos e pôr as achas a secar para poder cozer o pão, durante todo o inverno, sem problemas.

Vida de pobre mesmo, durante o meu tempo de Escola Primária, fui ajudante do meu pai nessa tarefa. Não é que as minhas forças fossem muitas, mas havia pequenas tarefas que conseguia fazer sem problema e fazia com que o "velhote" enchesse a giga de achas mais depressa. Rasar as covas, depois de tirado o trepo, era tarefa minha que já manejava a sachola como um adulto.

Mais que tudo, eu lembro-me dos Eiteirais como uma espécie de estrada do conhecimento que comecei a trilhar, em Outubro de 1950, pois fui matriculado na Escola Primária de Courel (por falta de lugar na de Macieira) e manhã cedo, de sacola ao ombro, percorria o carreiro aberto entre o mato e passava pelos "portelos" abertos nas paredes das bouças que eu atravessava a caminho da escola.

À cata de lenha ou de caruma, acompanhei muitas vezes a minha avó por esses sítios que me ficaram na memória e vejo-os, hoje, depois dos 80 anos, como um filme em que eu fui o actor principal. E o sabor das uvas americanas do campo do Júlio prevalece ainda na minha boca como se estivesse a saboreá-las agora!


terça-feira, 30 de junho de 2026

De visita à minha aldeia!

 Em sentido figurado, ou seja, em modo virtual, pois agora as minhas pernas agradecem que fique quietinho no meu canto. Quem andou não tem para andar, lá diz o ditado!

Amanhã começa o mês de Julho, o que significa que metade do corrente ano já passou à História, já era, como diz a nossa juventude! E eu apenas passei por aqui uma vez, para desejar a todos os que me visitam (que suspeito serem muito poucos) um Próspero Ano Novo. Talvez na minha próxima visita vos deseje um Feliz Natal!

Há muita gente jovem em Macieira, e passam a vida nas chamadas Redes Sociais, mas não são fãs de blogs, preferem o Facebook ou o Instagram. Já me cansei de bater nessa tecla e nada que eu diga fará mudar as coisas, é tudo uma questão de moda. Quando eu era rapaz, os homens usavam ceroulas, agora ninguém sabe o que isso é! A moda vai mais no sentido da zunga! 

Durante muitos anos o adro da nossa igreja tinha grandes árvores que lhe conferiam uma beleza especial. Alguém veio e disse que as árvores embaraçavam. E logo apareceu uma motoserra para lhe traçar o destino. Alguém as transformou em achas para se aquecer no inverno. É mais uma moda que veio para ficar, pois as grandes árvores que já ali estavam quando eu fui baptizado não voltam mais!

E temos também uma estátua a enfeitar o adro da igreja. Não sei quem foi o promotor da ideia, nem o artista que esculpiu o S. Tiago, mas nós merecíamos uma coisa melhor. O S. Tiago era um valente cavaleiro e não um anão como aquele que vejo na imagem!

Bem, já fiz a minha visita, a minha crítica também, e vou de abalada até à terra que me acolheu, desde que regressei da Guerra Colonial, em 1968! No dia 15 de Agosto acontece a grande Festa da Póvoa e talvez me encontrem por aqui se cá vierem!

Ainda assim, o blog parece ter mais visitas do que eu pensava!
Mas muito poucas da minha gente! A menos que estejam emigradas!

sábado, 24 de janeiro de 2026

Feliz Ano Novo!

 

Ainda aqui não tinha vindo, este ano, e já estamos quase no fim de Janeiro! A todos os visitantes desejo um Ano de 2026 cheio de saúde e outras coisas boas!

Infelizmente, reconheço que este lugar não é muito frequentado e, o mais certo, é ninguém ter dado pela minha ausência. No entanto, é um dever que impus a mim mesmo e quero manter. enquanto puder.

Como houve mudança na Junta de Freguesia, tenho andado a pensar se não deveria ir até Macieira para conhecer a nova presidente da Junta de Freguesia e perguntar-lhe o que ela pensa sobre a campa da Sr.ª Eunice que eu gostaria que ficasse para mim.

Seria uma maneira de transmitir aos meus herdeiros que ali repousa a velhota Eusébia do Jerónimo que deu origem à minha família que, pouco tempo depois da sua morte, emigrou para o concelho de Vila do Conde, freguesia de Touguinha, onde já foram sepultadas a filha e neta desta senhora, além do marido da neta e ainda um bisneto que morreu jovem num acidente de viação.

E por aqui me fico, pois nada mais me ocorre que possa ter alguma importância referir!