terça-feira, 21 de setembro de 2021

Um pouco de História!

 O meu antepassado mais remoto foi o Sr. Pedro de Araújo, cuja descendência podem consultar na imagem abaixo.

Admitindo que houve apenas um Pedro de Araújo, ele foi casado com Maria da Luz, de quem teve duas filhas, no lugar do Outeiro. Depois enviuvou e voltou a casar-se com Maria Alvares e ficou a morar no Picoto, onde nasceram mais três filhas e um filho, de nome Bento, que casou e criou família em Macieira.
Tendo dado o nome de Anna à primeira filha do seu segundo casamento, sou levado a crer que a primeira filha desse nome terá, entretanto, falecido. Com tempo procurarei consultar o Livro dos Defuntos e ver se encontro o registo destas duas mortes, mãe e filha.

Escolhi, hoje, falar sobre a origem do nome Araújo que é parte integrante da minha história de família. Ora vejam, aqui abaixo, o excerto que retirei da Wikipédia:

O progenitor do sobrenome de Araújo provavelmente é Dom Rodrigo Annes, que foi senhor do Castelo e das terras de Araújo localizadas ao sul do Reino da Galiza, na província de Ourense, esse castelo ficava na fronteira entre o Reino da Galiza e o norte de Portugal, alguns apontam o cavaleiro Vasco de Araujo, como o primeiro a utilizar de fato esse sobrenome.

Segundo diversos historiadores, Dom Rodrigo Annes de Araújo, era descendente de membros das famílias reais do Reino de França e do Reino da Borgonha através de um nobre cavaleiro francês chamado Iohannes Tirante, também conhecido como Jean Tiranothe, ou João Tirante em português, [2]este cavaleiro francês juntamente com grande número de cavaleiros da França e da Borgonha, participaram das batalhas da Reconquista na Península Ibérica, ajudando a expulsar os mouros e defender os reinos cristãos, terra reconquistada eram doadas para os cavaleiros que participavam das batalhas, bem como outros privilégios reais.

O Castelo de Araújo,  localizava-se na região de Ourense, no atual município de Lobios, próximo ao Minho, foi um antigo castelo militar medieval, que existiu na fronteira entre os antigos reinos da Galiza e de Portugal  Pesquisas arqueológicas modernas, apontam sua existência entre os séculos XII, quando provavelmente começou a ser erguido, e o século XV, quando foi subitamente destruído.

Segundo alguns escritores, os senhores do castelo de Araújo, seriam descendentes de nobres das antigas famílias reais dos reinos medievais da França, Borgonha, e da nobreza galega. Além do senhorio do Castelo e das terras de Araújo, estes nobres também foram senhores de outros castelos e terras, em Portugal.

As terras de Araújo, onde se situava o castelo da família, receberam o seu nome de uma planta que era muito comum naquela zona (vale do rio Lima) e de que vos mostro algumas imagens.

Araúja - Flor e fruto

Araúja - Árvore com flor

Árvore com fruto

No texto que retirei da Wikipédia lê-se que «foram senhores de outros castelos e terras, em Portugal», ou seja, está explicada a razão que trouxe o Pedro de Araújo, ou os seus antepassados, até ao Lugar do Outeiro, da nossa freguesia de Macieira. E se reproduziram, ao longo dos séculos, chegando até 1944, ano em que eu nasci.

Podem chamar-me Sr. Manuel de Araújo que eu não me importo!


domingo, 6 de junho de 2021

A »Família Domingues»!

Domingos e Domingas foram dois nomes muito usados, em Macieira, no passado. Talvez ainda existam muitos, hoje, mas tirando o Padre Domingos (do Salvador) não conheço nenhum. Mas não é de admirar, pois saí de Macieira, em 1955, com 11 anos de idade e raras vezes lá voltei.
O apelido Domingues que, segundo a tradição latina, significa "filho do Domingos" era também um dos mais comuns, na nossa freguesia, no Século XVII, quando começaram a ser feitos os »Registos Paroquiais», percursores do Registo Civil dos tempos modernos. Havia famílias com este apelido em quase todos os lugares da freguesia. Atentem no quadro abaixo:

Clicar na imagem para mais fácil leitura


A data refere-se ao baptismo do primeiro filho que cada casal registou. Os registos começaram, em Macieira, no ano de 1635 e, sabe Deus, quantos Domingues houve antes disso. O nome de Domenico (depois Domingos) deve ter sido introduzido pelos romanos, durante o primeiro milénio e o apelido Domingues veio logo a seguir com o primeiro filho desse primeiro Domingos.
No Século XVIII já houve menos Domingues e no Século XIX menos ainda. Apelidos como Ferreira, Costa, Silva, Novais, Leitão e, principalmente, Francisco foram ocupando o seu lugar. Nomes próprios, como Francisco, António, André, Manuel e João eram também usados como apelido. Francisco foi o mais comum de todos, não só em Macieira, mas também nas freguesias vizinhas de Rates, Courel, Negreiros, Chorente e Arcos. Houve um período em que eram tantos Franciscos que o pároco da freguesia tinha dificuldades em fazer os registos sem haver confusão. De modo que tiveram que recorrer a vários truques, inclusivé, usando alcunhas, como "O Cego", "O Manco", "O Velho", "O Novo", etc.
O lugar do Rio foi dominado por Domingues, desde o início dos registos até ao ano de 1814 (ver imagem abaixo), ano em que foi registada a Francisca, filha de José Domingues e de sua mulher Thereza Maria. Depois disso vieram os Ferreiras, Silvas, Santos, Soares, Fernandes, Leitão e Novais que tomaram o lugar dos Domingues.



O último Domingues de que tenho registo é do ano de 1896, José Domingues da Costa e sua mulher Maria Campos, do lugar de Penedo e, antes desse, José Domingues de Araújo e sua mulher Maria Josefa, no ano de 1859, do lugar da Aldeia. A partir de Abril de 1911, acabaram os Registos Paroquiais e começou o Registo Civil, cujos documentos não são ainda públicos e, por conseguinte, se há ou deixou de haver Domingues é coisa que desconheço.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Os filhos naturais!

 E a vergonha das mães solteiras!

Na actualidade, em que o casamento está fora de moda, as mulheres engravidam por encomenda e cada vez nascem menos filhos, ser filho de pai incógnito não é problema que tire o sono a qualquer uma. Pois, não era assim nos tempos da minha bisavó Eusébia, único dos meus antepassados mais recentes que nasceu, viveu durante grande parte da sua vida e ficou enterrada no «Cemitério da Agra», quando a sua família abandonou a freguesia, à procura de uma vida melhor.

A minha mãe que era neta da Eusébia nasceu em Rio Mau, foi viver para Macieira, quando entrou para a Escola Primária e abandonou a freguesia, indo morrer a Touguinha, concelho de Vila do Conde, para seguir o marido que no propósito de abandonar a agricultura arranjou emprego na Chenop, empresa de electricidade que electrificou Macieira, no ano em que eu fiz a 4ª Classe. O meu pai que para pedinchar não era peco, aproveitou a passagem dessa empresa pelas freguesias de Macieira e Gueral, recorreu à ajuda das pessoas mais influentes que conhecia e lá conseguiu convencer o "patrão da electricidade" a levá-lo com ele.

Isso fez com que a minha mãe e avó materna fossem morrer e ser sepultadas em Touguinha, deixando para trás os restos mortais da sua antepassada que faleceu, em 1939, na freguesia de Macieira, onde também tinha nascido, 87 anos antes. Como o nosso Presidente da Junta costuma ler estas palavras que vou publicando, deixo-lhe aqui uma pergunta. Seria possível identificar a sepultura onde os ossos da minha bisavó Eusébia ficaram a dormir o sono eterno? Cada vez que passo ao cemitério apetece-me ir fazer uma visita, mas mete-me impressão não saber, exactamente, o sítio onde ela ficou.

E voltando à sua história, pois é disso que trata esta publicação, ela foi mãe duas vezes. A primeira, como mãe solteira, de um rapaz chamado Carlos que nasceu, viveu e morreu no lugar de Lagoa Negra, da freguesia de Barqueiros, concelho de Barcelos e a segunda, já casada, de uma menina a quem puseram o nome de Maria (Maria da Eusébia) que viria a ser a minha avó.


Da minha mãe (Rita da Eusébia) muitos macieirenses, nossos contemporâneos, conhecem a sua história. Da minha avó Maria nem tanto, pois não nasceu na freguesia e, embora tenha lá vivido a maior parte dos seus 80 anos, levava uma vida escondida por trás da sua única filha, do seu genro e dos muitos netos que ajudou a criar. Da minha bisavó Eusébia duvido que algum macieirense se lembre, pois já morreram todos que com ela conviveram.

A imagem do assento de baptismo que vêem acima é do meu tio-avô que nasceu em Pedra Furada, em 1880, e foi viver para a Lagoa Negra com 10 anos de idade, quando a sua mãe se casou com um viúvo lá residente. Ele que tinha ficado viúvo sem filhos e ela com um filho sem pai, encontraram no casamento a solução para ambas as situações que não eram muito agradáveis para nenhum deles. O Carlos passou a ter um pai adoptivo, herdou os poucos haveres de um pequeno lavrador, ali casou e criou 4 filhos, um dos quais emigrou para o Brasil e tem lá descendência, tendo os outros 3 morrido solteiros. mesmo assim, para preservar a (má) tradição da família, uma das suas filhas foi também mãe solteira de um rapaz que ainda vive na casa que foi da sua bisavó Eusébia, casado e com duas filhas para continuar a história da família.

Como curiosidade saliento o nome do padrinho de baptismo que era irmão da Eusébia, também casou na Lagoa Negra (na minha opinião foi ele que "arranjou" o casamento da irmã) e a particularidade de ele já saber assinar o seu nome, coisa pouco comum, no ano de 1880, em que reinava D. Luis I, em Portugal. Outro dado curioso é o nome do pároco, António Alvares da Silva, nascido e sepultado em Pedra Furada, mas que quase de certeza era oriundo de uma família de Goios, da qual veio para Macieira uma Maria Alvares da Silva que casou no Outeiro e foi antepassada da minha bisavó Eusébia. Aliás, ninguém me disse, mas eu estou convencido que foi esse facto que fez a mãe solteira fugir de Macieira para Pedra Furada, quando se viu grávida, ou seja, acolher-se à protecção do pároco da freguesia que ainda era seu parente.

terça-feira, 11 de maio de 2021

A Tia Rosa Velha!

 A Tia Rosa do Jerónimo morava mesmo em frente da mina casa e era forçoso que a encontrasse a cada passo, para além de ela ir, frequentemente, a minha casa pedir ajuda para as mais diversas tarefas, a primeira das quais era ir com ela para o «Campo da Fonte» tomar conta das ovelhas, enquanto ela andava nas suas lides. A sua mãe, originária da freguesia de Rio Covo - Santa Eugénia, morreu era eu ainda muito novo, mas consigo situá-la na minha memória, talvez mais por "ouvir dizer" que por lembranças próprias.,

Curioso sobre este facto, fui pesquisar os registos paroquiais antigos para tentar descobrir a data do seu falecimento, o que consegui com alguma sorte (como se pode ver pelo assento acima). Os óbitos eram comunicados ao Registo Civil de Barcelos que fazia os necessários averbamentos (à margem) nos respectivos assentos de baptismo. Isto era um bom costume que muita ajuda quem procura reconstituir a sua árvore genealógica, mas que, infelizmente, nem sempre era respeitado por todos os Conservadores, não sei se por incúria ou falta de pessoal.

Assim, fui a Santa Eugénia confirmar se o averbamento do óbito tinha sido feito e acertei na mouche. Lá estava registado "faleceu em Macieira, no dia 7 de Janeiro de 1949, tinha eu 5 anos menos 2 meses. Por isso me lembro de ouvir dizer, quando entrava na casa da Tia Rosa, este é o quarto da Tia Rosa Velha. E fui ouvindo isso, ao longo da minha infância, por isso o recordo tão bem. Sendo a Tia Rosa uma filha solteira, calhou a ela a tarefa de cuidar da mãe até à sua morte. O seu marido, Zé do Jerónimo, irmão do meu trisavô Joaquim, já devia ser defunto nessa altura, pois nunca ouvi referir o seu nome.

Isto de parentescos antigos nem sempre é fácil de entender. A minha avó Maria era sobrinha-neta desse Zé do Jerónimo, pai da Tia Rosa. Elas as duas, Rosa e Maria, tratavam-se por primas, mas havia uma geração de diferença entre elas, ou seja, a Tia Rosa era segunda prima da minha avó, pois prima direita era a minha bisavó Eusébia. Todos eram descendentes do velho Jerónimo Ferreira, mas enquanto a Tia Rosa passou a usar a alcunha de Rosa do Jerónimo, a minha avó ficou como Maria da Eusébia. A minha mãe ainda era conhecida, em Macieira, por Rita da Eusébia, mas eu, por exemplo, já passei a ser conhecido por «Manel da Rita» e dos Jerónimos e Eusébios não herdei nada. 

terça-feira, 4 de maio de 2021

O Quim do Velho!

 Hoje, não tendo nada melhor para fazer, decidi dedicar uns minutos a escrever algo sobre os ascendentes do Joaquim Sousa, também conhecido por «Quim do Velho», ou seja, seu pai, Manel do Velho, seu avô David do Jerónimo e sua avó Maria do Velho. Muita confusão com as alcunhas, não é? Só para quem não está por dentro do assunto.

Comecemos pelo princípio. Esta história começa em Rio Covo, Santa Eugénia, quando o Joze Alves Ferreira de Sousa, neto do Tio Jerónimo Ferreira, do lugar do Outeiro, foi a essa distante freguesia pedir em casamento a sua namorada Rosa. O casamento realizou-se nessa freguesia, no ano de 1885, conforme registo que podem ver abaixo.



Tive que dividir o registo em 3 pedaços para se poder ler

Desse casamento nasceram vários filhos, entre eles o David que herdou o nome de Jerónimo do seu bisavô (que usou como alcunha) e ficou a ser conhecido por «David do Jerónimo». Até aqui está tudo claro, não é verdade? Depois o David viria a casar-se com a Maria do Velho, filha mais velha do casal formado por Manuel António de Araújo e Margarida Ferreira do Padrão (padrão era o nome do lugar onde moraram os seus antepassados, mas passou a fazer parte do nome, pela capacidade inventiva do pároco da freguesia).
E aí passou a haver, no lugar do Outeiro, uma mistura de Jerónimos com Velhos, coisa que me deu volta à cabeça, durante muitos anos, por não saber a origem dessas alcunhas. Que eu saiba, os filhos do Tio David nunca foram conhecidos por «Do Jerónimo», mas sim por «Do Velho» que era a alcunha da sua mãe Maria. Destes filhos, o mais conhecido foi, sem dúvida alguma, o Manel do Velho, por causa da profissão que escolheu, a de taxista. Era o único táxi nas redondezas e muitos macieirenses o utilizaram, eu inclusivé. Eu e vários colegas de escola fomos até Barcelos, em Junho de 1955, para fazer o exame da 4ª Classe.
Pois, para finalizar, o Quim do Velho, a que se refere o título desta publicação, é um dos filhos do famoso taxista de Macieira, um dos mais novos, suponho eu, mas mesmo assim não se livra da alcunha de «Velho» herdada da sua avó Maria.

quarta-feira, 3 de março de 2021

A Cumieira que tenho na memória!

 

Passei, há dias, na Cumieira, na estrada que liga a freguesia de Courel ao lugar de Penedo. A estrada está alcatroada e as casas são de construção moderna, muitos diferentes daquilo que retenho na memória, do tempo em que morava em Macieira. A Cumieira era um lugar muito pobre com casas que não passavam de barracas, alinhadas ao lado do caminho de terra batida que seguia pelo meio das bouças até Courel. Ali viviam as pessoas mais pobres da freguesia, além de um ou outro lavrador.

Sei que as minhas memórias são velhas de sessenta anos. Saí de Macieira em 1960 e se alguma vez lá voltei, nunca passei do lugar do Outeiro, onde nasci, ou do Outeirinho por ser o centro da aldeia. E a segunda metade do Século XX foi tempo de grandes mudanças provocadas, em primeiro lugar, pela Guerra do Ultramar e depois pela emigração. Houve outra abertura ao mundo e principalmente começou a haver mais dinheiro no bolso das pessoas.

E depois, a agricultura deixou de ser a única fonte de rendimentos, vieram as fábricas têxteis e de confecções criar mais emprego e, especialmente, emprego para as mulheres. Nesse tempo que ainda retenho na memória, havia apenas 3 automóveis em Macieira. O primeiro era o táxi do Manel do Velho, o segundo o carro do Dr. Alves, médico da freguesia, e o terceiro era do brasileiro de Penedo. Hoje, os carros são tantos que já embaraçam!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

A «Igreja do Monte do Adro»!

 Já li muita conversa sobre a antiga igreja do monte do adro, mas provas de que ela existiu é que não vi nenhumas. Talvez, um dia, quando a pandemia nos deixar, vá até Braga ver se é possível pesquisar os Arquivos do Arcebispado e confirmar aquilo que penso.



No ano de 1635 (do nascimento de Nosso Senhor Jesus cristo), quando se iniciaram, em Macieira, os Registos Paroquiais, a igreja já era no lugar da Igreja, Assento ou Padrão - conforma a época a que nos possamos referir - mais tarde demolida e reconstruída no lugar do Outeirinho, onde ainda hoje existe.

A ter existido, a igreja do Monte do Adro teria que remontar ao início da portugalidade, século XII ou XIII, por aí. É um facto que a paróquia de Macieira pertenceu à vigararia de Chorente e isso faz-me crer que essa tal igreja possa ter servido as actuais freguesias de Macieira, Gueral, Chorente e Negreiros, num tempo em que não havia posses para construir uma igreja em cada canto do Minho, como as conhecemos hoje.



O Mosteiro de S. Pedro de Rates já existia nessa altura e as viagens entre Braga - sede do Arcebispado - e Rates deviam ser frequentes, seguindo um caminho que devia passar por Nine, Grimancelos, Negreiros, entrando em Macieira pelo Monte do Adro e seguindo pelo lugar de Talho, Rio do Souto, Cumieira até à Vila de Rates. Não devemos esquecer que o Arcebispado de Braga mantinha um controlo apertado sobre as contas (receitas) de todas as paróquias e, pelo menos, duas vezes por ano faziam esse caminho, onde a vigararia de Chorente e, portanto, a igreja do Monte do Adro era paragem obrigatória antes de seguir para Rates.

É bom não esquecer que nas imediações do Monte do Adro é onde se encontram as confrontações das quatro freguesias, a nossa com Negreiros, Chorente e Gueral, por conseguinte o lugar ideal para erguer uma igreja que servisse os paroquianos das quatro freguesias. Baptismos, casamentos e funerais sempre houve e em algum lugar se teriam que realizar.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

O Paulino!

 Ouvi um conterrâneo referir-se à «Casa do Paulino», no lugar de Modeste, e isso aguçou a minha curiosidade, pois tinha estado a estudar os antecedentes e descendentes do Manuel Macieira (ou Manuel Martins Macieira) e sabia que ele teve um filho chamado Paulino. Seria esse Paulino, bisneto de Manuel Martins, aquele que deu nome a essa "casa de lavoura" de Modeste? O terreno, em que foi construida essa casa, no alto da subida de Modeste, do lado direito, pode ter pertencido, no passado, ao avô Martins que era dono de muitas possessões, o maior lavrador daquele lugar e ter calhado em herança à sua filha Bernardina.

Infelizmente, não pude confirmar, pois este Paulino, filho de Manuel Macieira, neto de Bernardina Martins e bisneto de Manuel Martins já deve ter morrido, há umas dezenas de anos, e talvez seja um seu neto a reinar naquela casa, agora, e não conheço ninguém da família que me possa ajudar a tirar as dúvidas. E até pode chamar-se Paulino também, como o seu avô, só talvez não saiba que a sua origem vem da grande casa do «Martins de Modeste».

sábado, 9 de janeiro de 2021

Ainda os Fonsecas!

 


Será o Manuel irmão dos outros que aparecem como filhos de Manuel José? Com a discrepância do nome do pai e do local de nascimento, a cronologia dos nascimentos (melhor dizendo, datas do baptismo) sugere que são todos irmãos. Quem estuda estas coisas fica num beco sem saída, pois não tem como desfazer estas dúvidas, o assento de baptismo é o único documento que chegou até aos nossos dias.


Do que não restam dúvidas é que foi este Manuel, nascido em 1852 e casado em 1886, que deu origem à família dos Fonsecas de Penedo. O seu filho Leopoldino, nascido em 1890, foi o seu continuador.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

O apelido «Costa Fonseca»!

 


Hoje, dediquei-me a aprofundar um pouco mais a origem do apelido Costa da Fonseca e cheguei à conclusão que o apelido Costa é o mais marcante na família. De qualquer modo, fui parar a um beco sem saída, pois o primeiro Costa desta história era o João Costa, filho natural de Francisca Gonçalves.

Em 1817, casou-se com Antónia Joaquina e desse casal nasceu apenas um filho, de seu nome Manuel Joaquim. Esse filho casou com Maria Domingues de Paradela e desse casamento nasceram 9 filhos, sendo a Thereza Maria a mais nova de todos, nascida em 1858. Como não encontrei o assento de casamento em Macieira, sou levado a supor que o casamento se realizou na terra da noiva, como era tradição nesse tempo. Mas fixaram residência em Penedo e aí criaram os filhos.

Portanto, João da Costa, sendo filho de pai incógnito, herdou o apelido não se sabe de quem, ou talvez a sua mãe quisesse com isso dar a entender quem era o seu pai. Depois dele, o seu filho Manuel Joaquim deu seguimento à família dos Costas e outro tanto fez a sua filha Thereza Maria. Esta, ao casar com um Fonseca, deu origem ao apelido «Costa Fonseca» que ainda prevalece no lugar de Penedo e, possivelmente, na mesma casa que foi de João Costa.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

A «Família D'Affonseca»!

 Era assim, desta maneira arrevesada que se escrevia o apelido Fonseca, quando chegou pela primeira vez a Macieira. Manoel Joze Gomes da Fonseca veio casar a Macieira, em 1837, com a Anna Joaquina que era filha de Joze da Costa Carneiro e de Maria Joaquina. O noivo não era de Macieira e não sabendo de que freguesia ele vinha é-me difícil descobrir os seus antecedentes. Pelo assento de casamento sei que os seus pais se chamavam Francisco Gomes da Fonseca e de Leonarda Maria Roza e tanto podiam ser de Courel, Gueral, Goios ou Negreiros, onde havia gente com esse nome.

Deste casamento nasceram, em Macieira, dois filhos, a Joaquina, em 1844, e o Manuel, em 1852, e a sua casa ficava no lugar do Outeirinho. Como se vê, os filhos foram poucos, vieram tarde e bastante separados no tempo. Só Deus saberá porquê.

Em 1886, foi a vez do filho Manuel arranjar noiva e apresentar-se perante o pároco da freguesia para que os casasse. Ele, de seu nome completo Manuel Gomes da Fonseca e ela, Thereza Maria da Costa. Ficaram a morar no lugar de Penedo, talvez a casa da família da noiva, e tiveram 5 filhos. A Thereza nasceu em 1886, a Laurinda, em 1889, o Leopoldino, em 1890, o Albino, em 1893, e a Joaquina, em 1898. De todos eles, pais e filhos, pouco mais vos posso contar, pois se casaram e tiveram filhos isso consta dos registos pós implantação da república e esses não estão ainda disponíveis ao público.

Houve outros Fonsecas, em Macieira que suponho serem irmãos deste Manuel, acima mencionado. A Jozefa Gomes da Fonseca era casada com João Ferreira de Matos e moravam no lugar de Talho. A Maria Gomes da Fonsega era casada com Manuel Francisco Carvalho e moravam no lugar do Outeiro.

Há ainda um registo de um José Gomes da Fonseca a morar no lugar do Rio e ainda mais dois Fonsecas, mais antigos, primeira metade do século XVIII, mas não lhes encontrei a origem nem deixaram descendência na nossa freguesia.

Para todos os efeitos, as famílias formadas pelos três irmãos (?) Manuel, em Penedo, Jozefa em Talho e Maria no Outeiro, que em conjunto criaram 14 filhos foram os antepassados dos mais jovens Fonsecas que hoje vivem em Macieira.

N.B. - Há uma falha que não consigo explicar, pois partindo do princípio que a Jozefa e a Maria eram irmãs do Manuel elas deveriam aparecer nos assentos de baptismo, tal como aparece o Manuel. Há grandes falhas e muitas páginas ilegíveis nos livros entre 1820 e 1845 e essa poderá ser a razão.



Curiosidade -  O noivo sabia assinar o seu nome, coisa rara naqueles tempos!

Euzinho da Silva!

 Depois de vos contar a história completa do meu "pentavô" Jerónimo, com todos os detalhes que consegui reunir, está na hora de mostrar a minha ligação familiar a tão famoso personagem do Outeiro e sempre referido, através dos seus muitos descendentes, há dois séculos e meio.

Aí me têm, 201 anos mais novo que o avô Jerónimo, como representante da 10ª geração desta relevante família que tem centenas de membros, muitos deles ainda vivos e cheios de saúde (mau grado a chegada da Covid-19).


O famoso «Avô Jerónimo»!

 JERÓNIMO FERREIRA, nasceu a 16 de Maio de 1743 e faleceu em 12/1/1814, em Macieira 

Filho de Manuel Ferreira, da Ribeira - Gueral e de Rozália Francisca, do Outeiro - Macieira 
Neto paterno de Miguel Alvares, da Pedreira - Negreiros e de Maria Gonçalves, da Ribeira - Gueral 
Neto Materno de António de Araújo, do Outeiro - Macieira e de Illena Manoel da vila de Rates 
Bisneto Paterno de Pedro Gonçalves e de Anna Ribeira, de Negreiros 
E de Domingos Gonçalves e Anna de Gueral 
Bisneto Materno de João Lopes e Anna de Araújo, do Outeiro - Macieira 
E de Estêvão Manoel e Maria Francisca, da vila de Rates. 
Teve três irmãos: 
António, nascido em 13/4/1733 
Marianna, nascida em 11/9/1736 
Joze, nascido em 30/11/1749 
Casou, em 22/6/1764, com Maria Alvares da Silva, nascida em 23/8/1744, em Goios, e falecida em 9/6/1805 
Teve sete filhos: 
Maria nascida em 1766 
Joze, nascido em 1768 (continuador do meu ramo familiar) 
Manoel, nascido em 1771 
Helena, nascida em 1774 
Custódia, nascida em 1777 
Antónia, nascida em 1780 
Luiz, nascido em 1784 
Todos tomaram por apelido ALVARES FERREIRA 
JOZE casou em 24/5/1806 com Hilena Maria de Souza, de Balazar (F. em 1853) 
Filha de Costódio Francisco e de Thereza Maria de Souza 
Teve cinco filhos: 
Maria, nascida em 29/7/1807 
Anna, nascida em 25/7/1809 
Manoel, nascido em 7/5/1814 
Joaquim, nascido em 4/2/1817 (continuador do meu ramo familiar)
António, nascido em 1/5/1821 
Todos tomaram por apelido ALVARES DE SOUZA 
JOAQUIM casou em 1/10/1842 com Maria Isidória, de Macieira, filha de Manoel Joze Ferreira e de Anna Maria 
Teve onze filhos: 
Manoel, nascido em 22/6/1843 
Rodrigo, nascido em 3/11/1844, falecido em criança 
Rodrigo, nascido em 24/8/1847 e falecido em 20/9/1848 
Joze, nascido em 28/12/1848 
Maria, nascida em 14/10/1850 
Eusébia, nascida em 4/4/1852 e falecida em 1938 (mãe de Maria e avó de Rita, a minha mãe) 
António, nascido em 12/8/1854 
Jozefa, nascida em 20/9/1856 
Rodrigo, nascido em 17/9/1858 
Anna, nascida em 1861 
Luiz, nascido em 1862 e falecido em 1937 
Todos tomaram por apelido ALVES DE SOUSA 

domingo, 3 de janeiro de 2021

Os do Jerónimo!

 Os do Araújo e os do Velho começaram a misturar-se, a partir de um certo tempo todos eram primos uns dos outros. Para complicar mais as coisas, no lugar do Outeiro, apareceram os do Jerónimo que passaram a fazer parte dos primos Araújos e Velhos. Alguns poderiam usar qualquer das alcunhas pois eram descendentes de todos eles.

Clicar na imagem para uma melhor leitura

A pedido de um macieirense (que, actualmente, não mora em Macieira) fui espiolhar um pouco mais esta história e trago-vos uma imagem que espero ajude a tirar dúvidas. Como esse macieirense é neto do «Tio David do Jerónimo» e da «Tia Maria do Velho», imaginem a mistura que isso deu!

O José Alves de Sousa era neto do Sr. Jerónimo Ferreira e o David seu bisneto. Não descobri o que aconteceu à Carolina e à Rita, irmãs do David, mas os outros irmão foram meus contemporâneos, a maioria morou no Outeiro, e conheci-os a todos.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Como apareceu a alcunha dos «Velhos»!

 Thomé Gonçalves, filho de Domingos Pires, foi o grande precursor da família dos «VELHOS» de Macieira. Aos que vierem a ler isto, vou já avisando que isto é a minha teoria dos factos históricos e cada um tem o direito de apresentar (e defender) a sua.


Os priores das paróquias desse tempo tinham uma enorme dificuldade em garantir a fiabilidade dos registos que faziam, uma vez que os apelidos eram poucos e muitas vezes repetidos. Daí a necessidade de indicar o nome do lugar, onde residia a pessoa em questão, e até acrescentar algo que pudesse tirar dúvidas se elas existissem.


Neste assento de baptismo pode ver-se a indicação de (O Novo) aposto ao nome de Domingos Pires, morador na aldeia de Penedo. Na outra imagem que podem ver mais acima, aparece o nome de Domingos Pires, morador na aldeia da Igreja, sem qualquer outra indicação. Como eles são mais ou menos contemporâneos, o prior quis pormenorizar a identificação, chamando a um "O Novo", o que pressupõe que o outro é «O Velho».

Daí nasce a minha teoria de que o Domingos Pires, pai do Thome Gonçalves é o mais velho antepassado da Família dos Velhos de Macieira. Para saberem mais sobre este assunto, olhem para o esquema seguinte:


O último da lista é o «Tio António do Velho» que morava ao lado da casa do Tio António do Couto, no Outeiro, e que, salvo erro, tem ainda alguns filhos vivos. Como curiosidade, posso acrescentar que o apelido de Araújo veio de Grimancelos, pelo casamento de António Francisco com Maria de Araújo que era dali natural e lá se casou também.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

A morte da Rosalina!

Era uma vez uma menina feia, gorda e mal vestida …
Nenhuma história deveria começar assim, mas esta não é uma história qualquer e muito menos um conto de fadas, em que todas as meninas são muito lindas e acabam muito felizes para sempre.
Chamava-se Rosalina e era a mais nova de três irmãos, cuja mãe tinha morrido quando era ainda bebé, e de quem não guardava qualquer recordação. Tinha cerca de oito anos quando aconteceram os factos aqui narrados.
Era feia porque Deus assim quis. Era gorda, não por comer demais, mas possivelmente devido a algum problema de saúde que nunca ninguém se preocupou em descobrir. E era mal vestida porque era pobre como Job.
O pai, incorrigível alcoólico e vadio, gastava o seu tempo deambulando de feira em feira e de tasca em tasca, à procura de quem lhe pagasse um copo em troca de uns acordes arrancados à velha concertina que sempre carregava às costas. Segundo ele, era um artista do melhor que se podia encontrar, ali pelas redondezas. Segundo os outros era um «rilha-foles» que servia apenas para animar pequenos grupelhos, em fim de feira ou romaria.
O seu filho mais velho, sem ocupação conhecida desde que abandonou a escola primária, acompanhava-o quase sempre na expectativa de garantir um pedaço de pão, ou algo mais suculento em dias de sorte, para mitigar a fome sua companheira inseparável. Sempre havia um farnel, cuidadosamente preparado para a romaria daquele dia, donde uma velhota simpática, com pena do pobre rapaz filho do tocador de concertina, tirava um pedaço para lhe aquecer o estômago. Ficava bem com Deus, em paz com a sua consciência pela boa acção praticada, e o miúdo com mais umas calorias para ajudar a manter e desenvolver aquele magro corpito.
O segundo filho, rapaz mais pacato que o seu irmão, nunca acompanhou o pai. Segundo a vizinhança saía mais ao lado da mãe e não entendia aquela vida de vagabundos que o seu pai e irmão teimavam em levar. Tendo abandonado a escola mais cedo, por não lhe reconhecer qualquer serventia para o seu incerto futuro, gastava o seu tempo por casa dos vizinhos e conhecidos a quem ia ajudando em troca de uma côdea de pão. Algumas vezes mais não fazia que brincar com os meninos da sua idade, filhos das famílias de lavradores da sua aldeia. Mas até isso tinha o seu valor, pois o excesso de trabalho das mães de família deixava-lhes muito pouco tempo para dedicar aos miúdos, e assim sabiam-nos ocupados com alguém mais velho e responsável. Outras vezes ia para o campo tomar conta das vacas enquanto pastavam. E assim ia vivendo e justificando junto dos seus benfeitores aquilo que lhe davam para comer, sem pesar nas costas do pai que muito lhe agradecia.
Além destes três belos exemplares do sexo masculino havia então a menina referida no início desta narrativa. Criada ao abandono nunca tinha frequentado a escola primária. O pai não a queria por perto pois não sabia como garantir a sua subsistência. Os irmãos viviam uma vida tão miserável como a dela e não lhe podiam valer. Às vezes o irmão mais novo levava-a com ele, mas raramente ficavam juntos até ao fim do dia. As brincadeiras ou o trabalho sempre faziam que se separassem um do outro.
Ao fim do dia, de regresso ao casebre onde viviam, era raro encontrar alguma coisa de comer. O pai, se vinha bêbado, deitava-se a dormir. Nas vezes em que isso não acontecia entretinha-se com a filha a cozinhar uma panela de sopa para aquecer o estômago. Meia dúzia de batatas, umas folhas de couve galega e uma manada de farinha de milho e estava a sopa feita. Acompanhada com um belo naco de broa de milho era o melhor manjar a que os pobres, daqueles tempos de miséria, podiam aspirar.
A Rosalina saía cedo de casa onde nada a prendia. Vagueava pelos caminhos da aldeia, indo de casa em casa sempre na esperança de que alguém a chamasse para lhe dar qualquer coisa ou pedir que ajudasse a qualquer serviço da casa. Era ainda muito nova, mas forte e determinada e não tinha medo do trabalho. Nunca pedia esmola, mas todos sabiam o que queria quando a viam aparecer. Todas as famílias das redondezas a conheciam e, de forma mais ou menos encoberta, lá a iam ajudando a sobreviver, sem, contudo, criar vínculos que a ligassem a alguém em particular. Talvez porque ela, inconscientemente, quisesse preservar a sua liberdade. A liberdade de passar fome, mas poder passar um dia inteiro na brincadeira, se assim o desejasse.
Vestia-se dos farrapos que os filhos dos outros deitavam fora, ora por velhos de mais ora por não lhe servirem já. Uma vez uma senhora rica ofereceu-lhe um lindo vestido que deixara de servir à sua filha. Era branco, bordado e ficava-lhe tão bem que a Rosalina parecia uma princesa dentro dele. Claro que, com a falta de asseio que havia na sua casa, em pouco tempo se transformou num farrapo.
De entre todas as casas que a menina frequentava, havia uma, em especial, onde era muito bem acolhida. Grande casa de lavoura cheia de criados e jornaleiros que garantiam a boa execução de todas as tarefas diárias, era um céu aberto onde a Rosalina se sentia bem. A dona da casa gostava da menina e não lhe teria custado nada tomar conta dela para toda a vida, mas não era essa a vontade da interessada. Passar lá o dia, encher a pança e regressar a casa à noite era tudo o que ambicionava. E havia ainda outro factor que fazia com que ela não fosse até lá tantas vezes como desejava. Morava no extremo norte da aldeia e a casa de lavoura ficava no extremo sul da mesma, a uma distância de mais de três quilómetros. As mais das vezes saía de casa com o firme propósito de ir até lá, mas, encontrando outros miúdos pelo caminho, perdia-se na brincadeira e chegava ao fim do dia sem lá ter chegado.
Mesmo assim, quando a fome apertava, era para lá que as suas pequenas pernas a levavam. Ocupava o dia tomando conta dos filhos mais novos da família, servia de ajudante de cozinha, fazia os recados da dona da casa ou carregava a cesta da merenda para os jornaleiros. Havia sempre o que fazer.
Uns dias antes do Natal daquele ano, a senhora chamou a Rosalina e disse-lhe que contava com ela para ajudar na cozinha, na véspera do dia da festa, pois havia muito que fazer e toda a ajuda seria necessária. Disse-lhe também que dormiria lá em casa naquela noite e passaria com a família o dia seguinte. É claro que a menina ficou toda contente. Uma vez na vida ia ter um Natal à moda dos ricos, com direito a barriga cheia de comida boa, doces e tudo o mais de que tinha ouvido falar, mas que nunca tinha visto nem provado. E disse-lhe que sim senhora que lá estaria para tudo o que fosse preciso.
Chegado o dia levantou-se cedinho, vestiu a melhor roupinha que tinha no seu miserável guarda-roupa e partiu a caminho daquela casa, onde se sentia bem e todos tratavam como gente.
Cantarolou todo o dia e trabalhou mais do que parecia possível o seu ainda frágil corpo suportar. Na sua mente estava o sonho de, para além de comer, aprender a preparar aquelas iguarias todas, para, quem sabe, um dia as poder apresentar na mesa da família que um dia viria a constituir. Em casa farta, além do tradicional bacalhau cozido com batatas e hortaliça, havia também muitos bolos e doces que começavam, aos poucos, a cobrir o tampo daquela grande mesa que estava a ser preparada para o banquete daquela noite.
A Rosalina tudo viu e ajudou a preparar e quando chegou a hora de lhe meter o dente, não se fez rogada. Comeu tudo o que quis e lhe coube no estômago. Ela sabia que dificilmente teria outra oportunidade de saborear tais acepipes e era, portanto, a altura certa para tirar a barriga de misérias.
Sentiu-se, pela primeira vez na sua vida, parte daquele mundo em que as pessoas viviam a felicidade de não ter que pensar no que meter à boca, para travar o bichinho da fome que não para de roer o estômago dos pobres.
Sentia-se saciada, mas também muito cansada. Era chegada a hora de arranjar um canto para descansar o seu ainda tão jovem corpinho. E foi então que lhe veio à ideia a lembrança do pai e dos irmãos que possivelmente não tinham arranjado nada para comer, ou pelo menos nada a que se pudesse chamar realmente comida. E decidiu regressar a casa levando qualquer coisa para eles comerem, qualquer coisa que lhes pudesse transmitir uma parte daquela felicidade que ela sentia.
Falou com a dona da casa que não gostou nada da ideia, mas não foi capaz de a demover dos seus propósitos. Em três tempos meteram numa saqueta um bom tachinho de comida, acrescentaram-lhe algumas guloseimas e ei-la a caminho de casa, já antevendo a cara de felicidade que os seus irmãos fariam, uma vez que o pai estaria, quase de certeza, adormecido e a curtir a borracheira do costume.
E foi a última vez que viram a Rosalina com vida. Na manhã seguinte, dirigia-se o pessoal da aldeia para a matutina e festiva missa de Natal, encontraram-na sentada na berma da estrada segurando o saquinho da comida, como se descansasse da canseira do dia anterior. Só que o descanso era eterno, estava morta.
Nunca ninguém soube de que morrera a menina. Para as autoridades um pobre a menos era sempre uma notícia boa e, por isso, ninguém perdeu muito tempo a investigar o que poderia ter acontecido. Na verdade pode ter morrido de cansaço ou de frio, ou ainda de algum mal congénito que ninguém conhecia. Eu prefiro pensar que foi o seu pobre coração que não foi capaz de suportar a enorme felicidade que sentia, nem a ansiedade de ver a cara dos seus irmãos quando lhes oferecesse aquilo que levava naquela saquinha que apertava ainda entre as suas pequenas e geladas mãozinhas, como se tivesse medo que alguém lha pudesse roubar.
Pobre Rosalina. Hoje, onde quer que ela possa estar, deve sentir-se muito feliz por ter morrido naquele dia. O dia em que atingiu o cume da felicidade que é possível atingir-se neste mundo, e conseguindo assim eternizá-la.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Saudades da minha terra natal!


 

Farto de estar fechado em casa, por causa da maldita Covid-19, peguei no carro e fui uma volta. Não tinha qualquer destino definido, mas quando dei por isso ia a caminho de Macieira. Virei à direita, em Terroso e em três tempos estava em Rates. Continuei em direcção a Courel, onde ingressei na Instrução Primária, em 1950 e, ao aparecer-me a placa indicando Macieira de Rates, girei o volante para a direita e enquanto diabo esfrega um olho estava no Outeirinho, junto à «Venda de Macieira».

Em época de Natal somos obrigados a pensar em compras e, antes de mais, no fiel amigo para a Consoada. Esta no sítio certo e a minha compra sempre serviria para ajudar outro macieirense como eu, um neto do Sr. Campos que agora está à frente do negócio que funciona como supermercado (sinal dos tempos).

O primeiro bacalhau que eu comi na minha vida, há já muitos natais, também foi ali comprado e, por conseguinte, mastigar o bacalhau que hoje comprei vai levar-me de volta à minha infância, cerca de 70 anos atrás. Nesse tempo de miséria, as famílias pobres davam uma volta por casa dos lavradores e recolhiam as ofertas para ajuda da Ceia de Natal, umas poucas de batatas e uns decilitros de vinho. No fim da volta, chegava-se a casa com uma arroba de batatas (se a coisa corresse bem) e uma cantarinha de vinho. Para o bacalhau tinha que se recorrer ao pé de meia, pois esse ninguém o oferecia.

E é assim a vida, dei a volta, escrevi a crónica e agora aqui fica registada para a posteridade!

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Os Gomes do Outeiro!

A «Família Gomes» foi uma das grandes do lugar do Outeiro, durante os séculos XVII e XVIII, não pela fortuna pessoal que essa eu desconheço, mas pelo número de membros que deu à freguesia.
Quis ver se era possível descobrir qual era a casa desta família, o que não se me afigurava difícil uma vez que as casas do lugar não eram assim tantas nessa era.
Sem o poder afirmar com certeza, estou convencido que a dita casa era aquela que fica ao lado da do Salvador e o seu último ocupante (que eu conheci) foi a Srª Emília Gomes Soares, casada com o Sr. Manuel António Vieira, conhecido na freguesia pela alcunha de «Manel da Emília». Filha mais nova de António Gomes de Araújo e de Ana Rita Soares, ela nasceu no ano de 1896 e casou em 1942. Tanto como me é dado saber, não houve filhos deste casal.
Para completar esta minha pequena pesquisa, fui ver que outros Vieiras viveram em Macieira, na mesma era, e descobri que não foram muitos, nem muito afortunados. No lugar da Igreja um António José Vieira, casado com Luiza Cândida da Silva que tiveram 5 filhos, tendo os primeiros 4 morrido ainda crianças. O mais novo dos filhos era uma menina, de seu nome Maria Beatriz que se casou com Joaquim Ferreira de Brito, em 1932 e abandonou a nossa freguesia, após o casamento, pelo que não existem outros registos a seu respeito.


E, no lugar de Penedo, António Augusto Vieira, casado com Ana de Oliveira, de quem nasceu o Manuel António, acima referido, ou «Manel da Emília» de sua alcunha. Segundo consta do seu registo de nascimento, casou uma segunda vez, em 1965 e veio a falecer em 2003.
Para terminar, o casal Ambrózio Gomes e a sua mulher Maria Antónia que criaram um rancho de filhos, na segunda metade do século XVII, devem (suposição minha) ter sido dos primeiros ocupantes desta casa.

terça-feira, 14 de abril de 2020

Os Sousas de Macieira!


A primeira vez que aparece, em Macieira, o apelido de Souza é neste assento de casamento de Joze Alvares Ferreira, do Outeiro, que era um dos meus antepassados (avô da minha bisavó Eusébia). O casamento foi realizado em Balazar, de onde era a sua mulher, Illena Maria de Souza. Assim podemos depreender que o apelido veio de Balazar para Macieira.


Todos os filhos deste casal (6) usaram o apelido completo de Alvares de Sousa. Do casamento do Joaquim (sublinhado a negrito) nasceu a minha bisavó, referida acima.
Nesta mesma época viveu, no lugar da Cumieira, um Bento Alvares de Souza, casado com Antónia Maria, de quem nasceram dois filhos, um rapaz em 1814 e uma rapariga no ano seguinte. Não encontrei, nos 50 anos anteriores a 1814, o registo de nenhum rapaz com o nome de Bento, nem tão pouco o registo do seu casamento que poderia ter acontecido por volta de 1790. Quer isto dizer que o mais provável é que não fossem originários de Macieira, nem um nem o outro, fazendo com que os primeiros Souzas nascidos e criados em Macieira sejam os 6 filhos de Illena (ou Ellena, pois aparece escrito das duas maneiras nos vários registos que consultei), um dos quais é o meu trisavô Joaquim.


quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Apelidos de Macieira . Século XVII

Ano Lugar Apelido Nome completo
1635 Penedo Fernandes Manoel Fernandes
1635 Rio Gonçalves António Gonçalves
1635 Picoto Gonçalves Francisco Gonçalves
1635 Penedo João Francisco João
1635 Rio Lopes Custódio Lopes
1635 Modeste Martins Domingos Martins
1635 Travassos Pires Manoel Pires
1635 Formigal Rodrigues Domingos Rodrigues
1636 Paço Gonçalves João Gonçalves
1636 Penedo Gonçalves Manoel Gonçalves
1636 Rio Lopes Agostinho Lopes
1636 Penedo Pires Domingos Pires (o novo)
1637 Rio Gonçalves Francisco Gonçalves
1637 Penedo João Sebastião João
1637 Rio Martins Pedro Martins
1637 Penedo Pires Pedro Pires
1638 Outeiro Araújo Pedro de Araújo
1638 Penedo Domingues António Domingues
1638 Igreja Francisco Manoel Francisco
1638 Outeiro Martins Gaspar Martins
1638 Rio Pires Domingos Pires
1639 Rio Domingues Manoel Domingues
1639 Luvar Gomes António Gomes
1640 Rio Gonçalves Francisco Gonçalves
1640 Modeste João Francisco João
1641 Igreja Francisco António Francisco
1641 Penedo Gonçalves João Gonçalves
1641 Travassos Gonçalves João Gonçalves
1641 Modeste João Domingos João
1641 Outeiro João Domingos João
1641 Penedo João Pedro João
1641 Modeste Martins António Martins
1642 Paço Francisco Adrião Francisco
1642 Luvar Gomes Francisco Gomes
1642 Travassos Gonçalves António Gonçalves
1642 Rio Gonçalves Francisco Gonçalves
1643 Picoto Araújo Pedro de Araújo
1644 Rio Lopes João Lopes
1644 Outeiro Manoel André Manoel
1645 Luvar Domingues António Domingues
1645 Penedo Fernandes João Fernandes
1645 Paço Francisco Pedro Francisco
1646 Travassos Gonçalves Ántónio Gonçalves
1646 Rio Manoel António Manoel
1649 Picoto Francisco Manoel Francisco
1649 Penedo Gonçalves Ántónio Gonçalves
1650 Luvar Francisco João Francisco
1651 Penedo António Manoel António
1651 Travassos Francisco Domingos Francisco
1651 Rio Martins João Martins
1652 Rio Domingues Custódio Domingues
1653 Travassos Fernandes Gaspar Fernandes
1653 Outeiro Gomes Ambrózio Gomes
1654 Paço Francisco Domingos Francisco
1655 Modeste Francisco Manoel Francisco
1655 Cerqueiral Lopes Domingos Lopes
1656 Outeiro André Manoel André
1656 Luvar Domingues Christóvão Domingues
1656 Rio Gonçalves Amaro Gonçalves
1656 Penedo João António João
1657 Modeste António Domingos António
1657 Rio Gonçalves João Gonçalves
1658 Picoto Francisco João Francisco
1658 Picoto João Manoel João
1659 Aldeia Francisco António Francisco
1660 Outeiro Francisco Manoel Francisco
1660 Luvar Gomes Manoel Gomes
1661 Penedo Francisco Manoel Francisco
1662 Penedo António José António
1662 Rio Domingues António Domingues
1662 Formigal Francisco António Francisco
1662 Travassos Lopes Domingos Lopes
1662 Igreja Lopes Manoel Lopes
1662 Rio Manoel Thomé Manoel
1663 Luvar Domingues João Domingues
1663 Outeiro Gonçalves Thomé Gonçalves
1664 Paço Francisco João Francisco
1665 Aldeia Domingues Christóvão Domingues
1665 Igreja Francisco Manoel Francisco (o novo)
1665 Igreja Gonçalves João Gonçalves
1665 Travassos Manoel Francisco Manoel
1665 Modeste Martins António Martins
1666 Paço Fernandes Manoel Fernandes
1666 Luvar Francisco João Francisco (o novo)
1666 Rio Gonçalves António Gonçalves
1666 Outeiro Lopes João Lopes
1667 Penedo Pires Manoel Pires
1668 Penedo Francisco Pedro Francisco
1668 Outeiro Martins Domingos Martins
1669 Travassos André Manoel André
1669 Penedo Costa Domingos da Costa
1669 Rio Francisco Manoel Francisco
1669 Rio Lopes Pedro Lopes
1670 Outeiro João Domingos João
1671 Paço Francisco Amaro Francisco
1671 Paço Francisco José Francisco
1671 Formigal Gonçalves João Gonçalves
1671 Rio Jorge Domingos Jorge
1671 Cerqueiral Lopes Domingos Lopes
1673 Penedo António Domingos António
1673 Paço Francisco Manoel Francisco
1673 Picoto João Manoel João
1674 Travassos Francisco João Francisco (o novo)
1674 Travassos Gonçalves João Gonçalves
1674 Travassos Gonçalves Manoel Gonçalves
1674 Igreja Lopes Manoel Lopes
1675 Penedo Domingues António Domingues
1675 Picoto Gonçalves Domingos Gonçalves
1675 Luvar Lopes Lourenço Lopes
1676 Travassos Francisco João Francisco
1677 Penedo Gonçalves Domingos Gonçalves
1677 Igreja Lopes Simão Lopes
1678 Rio Domingues Marcos Domingues
1678 Talho Fernandes Manoel Fernandes
1679 Outeiro Gonçalves Manoel Gonçalves
1680 Rio Lopes Manoel Lopes
1680 Penedo Martins António Martins
1680 Rio Rodrigues Pedro Rodrigues
1680 Penedo Silva Bento da Silva
1681 Travassos Fernandes Manoel Fernandes
1681 Paço Ferreira João Ferreira
1681 Penedo Lopes Manoel Lopes
1682 Outeiro Martins Francisco Martins
1683 Travassos André Manoel André
1683 Travassos Domingues Manoel Domingues
1683 Luvar Gomes Manoel Gomes
1684 Rio Domingues Manoel Domingues
1684 Modeste Lopes Domingos Lopes
1685 Paço Fernandes Custódio Fernandes
1686 Luvar Ferreira Domingos Ferreira
1686 Modeste Gonçalves Marcos Gonçalves
1686 Rio Lopes António Lopes
1686 Modeste Lopes Manoel Lopes
1687 Modeste Domingues Manoel Domingues
1688 Modeste Domingues António Domingues
1688 Paço Fernandes Manoel Fernandes
1688 Picoto Gomes Marçal Gomes
1688 Penedo Gonçalves Manoel Gonçalves
1688 Rio Lopes António Lopes
1688 Luvar Lopes Brás Lopes
1690 Talho Francisco Manoel Francisco
1690 Formigal Gonçalves Custódio Gonçalves
1691 Picoto Alvares Domingos Alvares
1691 Penedo Gonçalves Domingos Gonçalves
1691 Luvar Lopes Domingos Lopes
1692 Modeste Fernandes Manoel Fernandes
1692 Rio Lopes Balthazar Lopes
1694 Modeste Francisco Manoel Francisco
1694 Formigal Gonçalves Domingos Gonçalves
1694 Formigal Pereira Nicolau Pereira
1695 Modeste André João André
1695 Igreja Lopes João Lopes
1695 Penedo Manoel João Manoel
1695 Luvar Pereira Manoel Pereira
1696 Igreja António Domingos António
1696 Rio Domingues António Domingues
1696 Rio Francisco Manoel Francisco
1696 Paço Gonçalves Thomás Gonçalves
1697 Luvar Francisco Manoel Francisco
1697 Outeiro Pereira Manoel Pereira
1698 Formigal Ferreira João Ferreira
1698 Cerqueiral Gonçalves Manoel Gonçalves
1699 Rio André Domingos André
1699 Rio Domingues Custódio Domingues
1699 Rio Domingues Valentim Domingues
1699 Outeiro Gomes Manoel Gomes
1699 Outeiro Gonçalves Manoel Gonçalves
1700 Outeiro Araújo António de Araújo
1700 Penedo Domingues Manoel Domingues