quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Tia Rosa do Jerónimo!

 A Tia Rosa era uma velha solteirona que morava junto da casa onde eu nasci. Ela era visita frequente lá em casa e sempre dizia que era prima da minha avó Maria, mas eu nunca percebi de onde vinha esse parentesco. Agora que me dediquei a estudar os registos paroquiais da minha freguesia - bons ou maus são os únicos documentos escritos, sobre a nossa freguesia, dos últimos quatro séculos - consegui construir a árvore genealógica da família do "avô" Jerónimo e já percebi tudo. A Tia Rosa era prima direita da minha bisavó Eusébia (mãe da avó Maria) e ambas eram bisnetas do avô Jerónimo Ferreira do lugar do Outeiro.

Na geração seguinte o apelido foi «Alvares Ferreira» que passou adiante pelo seu filho José e este ao seu filho Joaquim que era pai da Eusébia e tio da Rosa. Pelo casamento com uma senhora de Balazar, de apelido Souza, a geração seguinte passou a usar o apelido de «Alvares de Souza». Era moda naqueles tempos, os apelidos das mães sobrepunham-se muitas vezes aos dos pais.

Se não perceberam nada desta minha explicação não se preocupem, pois isto é mais um registo para eu guardar (agora que a minha memória, por vezes, me começa a atraiçoar) para mim mesmo!

Gostaria ainda de referir que a Tia Rosa, figura marcante da minha infância, tinha vários irmãos, entre eles o Tio David e o Tio António, casado com a Tia Amélia do Jerónimo, e que eu não cheguei a conhecer, pois tanto quanto sei já tinha emigrado para o Brasil, muito antes de eu nascer.

O Tio David entrou para a família dos «Velhos» pelo seu casamento com a Maria do Velho e foi pai de muitos filhos, entre eles o muito conhecido cantoneiro e taxista Manuel do Velho. Mais uma vez prevaleceu o apelido (alcunha), Velho, que usaram (e usam ainda) todos os seus descendentes, vindo da parte materna, esquecendo por completo o Jerónimo que vinha do lado paterno.

Outra particularidade que quero aqui deixar registada é o caso do Tio António do Jerónimo, casado com a Tia Amélia Letão, que foi para o Brasil, na década de 30 do século XX e nunca mais deu notícias. O seu filho mais novo, Armando, requereu ao Tribunal da Comarca de Barcelos que fosse averbada a sua morte, presumida, em 31 de Dezembro de 1936, de maneira a oficializar uma situação que se impunha.

E por aqui me fico com esta viagem ao passado para avivar a memória!


segunda-feira, 9 de maio de 2022

Penedo e Mulher Morta!

 

O Cais das Colunas é em Lisboa
aqui é apenas a rua das colunas
de que eu não conheço a história

Tinha eu 10 anos de idade e, numa célebre tarde de domingo, depois da reza, alguém marcou um bailarico para o Largo das Colunas, em Penedo. A rapaziada nova correu até lá, o mais depressa que pôde, à espera de um espectáculo que era raro na nossa terra. E eu, claro, estava na primeira fila.
Ainda a música da concertina mal se começara a ouvir e eis que o abade da paróquia irrompe por ali dentro e corre com todas as mulheres dali para fora. O sexo masculino manteve-se impávido e sereno, mas os músicos calaram-se e sem as raparigas para aquecer o ambiente não houve baile naquela tarde.
Imagino o que o abade terá dito a cada uma das pecadoras, quando elas lhe apareceram no confessionário com as palavras da ordem - abençoai-me padre porque pequei!
Bom padre o Manuel Marques, mas com o mesmo defeito de todos os outros, o «Pecado da Carne» era expressamente proibido nos seus domínios!

Parque do peregrino com Galo de Barcelos

Parque com os peregrinos em movimento

Parque do peregrino com o carro do fotógrafo

Parque do Peregrino
com troféus deixados pelos ditos

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Passado e presente!

 


Neste blog, trato, preferencialmente, de coisas e pessoas do passado, mas posso sempre fazer uma excepção. Hoje, dia 2 de Maio do ano da graça de dois mil e vinte e dois, foi inaugurado o parque de descanso dos peregrinos de Santiago de Compostela, no Alto da Mulher Morta. Aquilo é um sítio ermo e só neste tempo mais quentinho ganha alguma vida. Acredito que os peregrinos que por ali passem vão agradecer o cuidado das gentes de Macieira que com este parque de descanso procuram amenizar a viagem, entre Rates e Barcelos.

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Batendo na mesma tecla!

 


Ainda estudando o caso para tentar entender a História. Gomes e Araújo foram duas famílias dominantes no lugar do Outeiro. Este casal, retratado na imagem acima, foi morar para Penedo, talvez por ser a morada da noiva, mas os seus descendentes voltariam ao Outeiro, como se pode ler na minhas publicações anteriores.

Assento de casamento

 

Aos dezasseis dias do mês de Fevereiro o ano de mil oitocentos e oitenta e quatro, nesta igreja parochial de Santo Adrião de Macieira de Rates, concelho de Barcelos, diocese de Braga, na minha presença apresentaram-se os nubentes ANTÓNIO GOMES DE ARAÚJO e ANNA RITA SOARES, os quais sei serem os próprios, com todos os papéis do estilo corrente e sem impedimento algum, canónico ou civil, para o casamento e com dispensa das três palavras de estilo concedidas pelo  senhor Arcebispo de Braga. Ele da idade de trinta e três anos, solteiro, natural desta freguesia, baptizado e morador na mesma, filho legítimo de José Gomes de Araújo e de Thereza Antónia naturais desta freguesia e ela da idade de trinta e um anos, solteira, costureira, natural desta freguesia e moradora na mesma, filha legítima de Manuel Luiz Gomes, da freguesia de Formariz, concelho de Coura, diocese de Braga e de Anna Maria Soares, da freguesia de Santo André de Barcelinhos, do concelho de Barcelos e diocese de Braga. Os quais nubentes se receberam por marido e mulher e os uni em matrimónio, procedendo em todo este acto conforme o Rito da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana. Foram testemunhas presentes Manuel Joaquim da Costa, casado, e Domingos Joaquim da Costa, solteiro, ambos lavradores e naturais desta mesma freguesia e moradores no lugar de Penedo, os quais sei serem os próprios. E para constar lavrei em duplicado este assento que depois de lido e conferido perante os cônjuges e as testemunhas com todos assigno. Era ut supra.

 

O Párocho – Padre António José Ferreira

Deixo aqui o assento de casamento para mostrar outra família de Gomes que veio do distrito de Viana do Castelo para reforçar a família já existente, em Macieira. Investiguei os antepassados dos Gomes de Formariz e tanto o avô como o bisavô desta noiva eram de Formariz, o que fez cair pela base a mina teoria que talvez fossem descendentes dos Gomes de Macieira.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Um enigma para mim!

 Que relação de parentesco haveria entre os Gomes do lugar do Paço e os Gomes de S. Pedro de Formariz, do concelho de paredes de Coura? Creio que nunca saberei a resposta para esta pergunta.

O Manuel Luís Gomes (pai da Anna Ritta que se casou e veio morar no lugar do Outeiro, mencionado na minha publicação anterior) era filho de José Gomes e neto Manuel Joaquim Gomes - três gerações - todos eles de Formariz. Pode ser uma simples coincidência, mas eu sou avesso a acreditar em tal coisa e parti do princípio que essa família Gomes teria um antepassado de Macieira e foi isso que motivou o casamento e fez com que a família tivesse uma continuação, na nossa freguesia.

Gastei algumas horas a espiolhar os livros de Formariz, mas não encontrei nada. Eles, os livros, são muito difíceis de ler (má digitalização) e ainda para piorar as coisas faltam registos de perto de 100 anos. Resultado, desisti das pesquisas e fico com o enigma!

segunda-feira, 4 de abril de 2022

A Tia Emília!

Clicar nas imagens para mais fácil leitura 





Quando comecei a pesquisar as origens da Tia Emília do Outeiro (referida na publicação anterior) parti do princípio que ela era descendente dos Gomes do Outeiro, ou em última análise, dos do Paço, mas não consegui encontrar o caminho para os seus antepassados.

Como se pode ver no assento do seu baptismo, o seu pai era de Formariz, no concelho de Paredes de Coura, e a sua mãe de Barcelinhos. Claro que o Joze Gomes, avô da Emília, podia ter casado para Formariz, mas ser originário de Macieira. Ainda fiz uma tentativa para tirar isso a limpo, mas faltam os livros dos casamentos da época em que ele se casou. Como não pretendo continuar a espiolhar o assunto, ficamos por aqui, o pai casou e veio para Macieira, o avó era de Formariz e ponto final.

Quanto ao apelido Soares que a Tia Emília herdou da sua mãe e avó, era originário de Rates, como o prova este assento de baptismo feito pelo padre de Rates, embora a sua mãe tenha vindo de Barcelinhos. O avô Francisco deve ter vindo a Rates buscar a noiva Antónia e anos depois regressou a Rates para baptizar a sua neta, já nascida em Macieira.

A História é muito pobrezinha nesses detalhes, mas a Villa de Rates deve ter tido uma grande influência em Macieira. Eu diria mesmo que, num passado mais longínquo, Macieira deveria ser uma espécie de bairro, mais para nascente, da Villa de Rates. Os reis mandavam muito pouco nas terras, mandava muito mais a Igreja, e os emissários do Arcebispo, quando vinham a Rates acertar as contas punham Macieira no mesmo embrulho.

O Sr. Custódio Gomes e depois o seu filho António, foram a maior família do Outeiro e eu parti do princípio que a Emília Gomes Soares descendia dessa família, mas, se calhar, estava enganado, ou teria que recuar algumas gerações mais para descobrir a ligação.

Para complicar as coisas, a Anna Ritta, mãe da Emília, viria a casar-se com outro Gomes de Macieira, o que torna as coisas ainda mais complicadas, pois assim tanto o pai como o avô usam o mesmo apelido, mas são de famílias diferentes. Pelo menos isso esclarece a questão do apelido, pois acabaria por ser Gomes de qualquer maneira. Ao fim e ao cabo, todos os Gomes do mundo são primos entre si!

domingo, 3 de abril de 2022

O Tio Manel da Emília!

Se me perguntarem a razão por que decidi escrever algo sobre esta personagem, direi que também eu sou conhecido, na Póvoa de Varzim, na rua onde moro, pela mesma dsignação, embora ligeiramente modernizada, Manel da Mila. Ele morava no centro do Outeiro e eu na ponta mais a norte, éramos, portanto, vizinhos.
Suponho que o casal não tinha filhos, pelo menos nunca vi uma criança naquela casa. Passavam os dois a caminho do campo, com o inseparável carro de vacas que servia para levar e trazer tudo aquilo que precisavam, como ferramentas, sementes, estrume, etc., e na volta o milho, a erva, a palha, a lenha e o resto que podem imaginar. Quem viveu, como eu vivi, nesse mundo da pequena agricultura sabe do que falo. Aos meus olhos era um casal triste que parecia carregar toda a infelicidade deste mundo.
Saí de Macieira muito cedo, com 11 anos de idade (no ano de 1955) e nunca mais lhes pus a vista em cima. Soube agora, aos estudar os registos paroquiais da nossa freguesia, que o pai dele veio de Cristelo casar em Macieira e ficou a viver em Penedo. Abaixo, podem ver uma parte do seu registo de baptismo:


Nasceu em 23 de Outubro de 1909, tinha portanto mais 34 anos que eu. Aos olhos de uma criança, um homem dessa idade é um velho. A sua mulher era descendente de uma família de apelido Gomes - havia bastantes, em Macieira - e era sua a casa onde ficaram a morar, no Lugar do Outeiro. Casou-se, em Setembro de 1942, dois anos antes de eu nascer.
E depois aconteceram mais algumas coincidências que me ajudaram a decidir escrever esta prosa (que talvez nunca seja lida por ninguém) que aqui deixo. Em primeiro lugar e por causa da Guerra Colonial, eu parti para Moçambique, no último trimestre de 1962, tendo passado o Natal desse ano longe da família. Quis o destino que nesse dia 25 de Dezembro, em que eu carpia as minhas mágoas tão longe de casa, a Tia Emília entregou a alma ao Criador, deixando o Tio Manel viúvo.
Em 1965, vim à Metrópole (era assim que nos referíamos a Portugal Continental) frequentar um curso para promoção ao posto imediato na tropa e, no Outono, regressei a Moçambique. Por coincidência, foi nesse mesmo ano que o Tio Manel da Emília deixou de se chamar assim, por se ter casado, em segundas núpcias com Maria Josefa Alves Ferreira. Imagino que a vida de um homem viúvo, com 50 e poucos anos, não fosse nada fácil, tanto pela falta de habilidade nas coisas do lar, como pela falta de ajuda com a sua lavoura que mesmo sendo de pequena monta, sempre seria demais para um homem só. Assim congratulo-me com ele pela decisão tomada em procurar noiva e oficializar a ligação.
Pois, uma coisa que não se pode negar é que o homem era rijo e sobreviveu à sua segunda esposa que faleceu, em 1999. Ele aguentaria ainda mais 4 anos, tendo morrido, em 2003, em Barcelos (suponho que internado no hospital para onde terá sido levado por doença) com a bonita idade de 94 anos.
Posto isto, fico a pensar se também eu perderei a minha Emília e ficarei sozinho até aos 94 anos, ou perto disso. Casar outra vez nem pensar, já não tenho idade nem vontade para me meter nessas corridas!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Caminhos de Santiago!

 

Encontrei este mapa e como um dos caminhos passa por Rates, Macieira, Courel e Pedra Furada, tudo freguesias que conheço bem e todas elas ligadas à História dos meus antepassados, decidi publicá-lo neste blog, para que fique guardado para mais tarde consultar.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Histórias antigas!

 A família do Sr. Jerónimo Ferreira foi marcante, em Macieira, no lugar do Outeiro. Imagino, ainda que sem nada que suporte a minha imaginação que a casa que ocuparam é aquela que fica na descida, ao lado direito, para quem desce da Casa do Salvador para a Fonte do Outeiro.

Jerónimo era filho de Manuel Ferreira, de Gueral, que veio a casar com uma macieirense e ficou a residir na casa de seus sogros (a mesma que atrás referi). Diria que as únicas pessoas que viveram no tempo da minha infância e tratados como descendentes deste famoso Jerónimo eram o David e a Rosa do Jerónimo e que usavam também alcunha de «Do Velho», embora houvesse muitos mais. Com o apelido dos descendentes mudado para Sousa, pelo casamento com uma senhora de Balazar que de lá trouxe o apelido, a grande maioria dos Ferreiras e Sousas de Macieira (e arredores) são descendentes deste Sr. Jerónimo que devia ter uma estátua erguida na Fonte do Outeiro.

A Tia Amélia do Jerónimo, assim chamada por se ter casado com um bisneto ou trineto do mesmo Jerónimo (que por acaso foi para o Brasil, depois do nascimento do seu filho mais novo, o Armando, e nunca mais deu sinal de vida) teve vários filhos, além do Armando, um deles frade Capuchinho e também uma filha freira. O mais velho de todos (se não me engano) era o Daniel, único que foi lavrador na família.

Quinta do Passeia

Ali pelos meus 10 a 12 anos de idade, o Daniel era o feitor da Quinta do Passeia, no lugar de Real, da freguesia de Pedra Furada (ver imagem acima). O facto de ele ser da família do Jerónimo e ter herdado aquele cargo, leva-me a crer que a propriedade terá pertencido à família. Fui lá algumas vezes com o Armando, visitar o irmão e recolher alguns bens que ele enviava para a sua mãe que vivia com grandes dificuldades. Quem lá morava, nessa altura, eram duas velhotas que se diziam tias do Daniel. Talvez descendência do Manuel Ferreira que deu início a esta conversa. Ele era de Gueral e o lugar de Real, embora pertença a Pedra Furada fica, praticamente dentro da freguesia de Gueral. Tudo pistas que apontam no mesmo sentido.

A Quinta tinha uma capela que ainda hoje existe, embora arruinada e completamente abandonada. A ideia desta publicação é perguntar se alguém conhece os actuais proprietários. Gostaria de saber quem são e chegar à fala com eles.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

A seca!


 Não me lembro com exactidão da data em que isto aconteceu, mas juraria que foi enquanto frequentei a Escola Primária, ou seja, entre 1951 e 1955. A seca era terrível e não sabendo mais o que fazer para resolver o problema, o pároco de Macieira e os seus homólogos das freguesias vizinhas resolveram levantar os olhos aos céus e pedir a ajuda divina.

Na minha juventude vi muitos filmes de índios e cow-boys e lembro-me das danças que os peles-vermelhas faziam para pedir a Manitou que lhe enviasse a chuva que faria crescer a erva nas pradarias para engordar os búfalos que eles caçavam para alimentar as suas famílias. Em Macieira, não havia búfalos para engordar, mas a água fazia muita falta para outras coisas, além de fazer crescer a erva que também servia de alimentação aos bois e vacas que eram as grandes máquinas agrícolas daquele tempo.

Ora bem, para invocar  a ajuda divina, os párocos de Macieira, Gueral, Chorente, Negreiros, Gondifelos, Chavão e Grimancelos resolveram organizar uma procissão de velas nocturna que saía da igreja de Gondifelos e dava a volta por caminhos de cabras que demorava uma boa hora a percorrer e regressava de novo à igreja para uma última prece.

As cruazadas (organização religiosa infantil daquela época) das várias freguesias encabeçavam o cortejo que seguia com a cruz à sua frente. E rezava-se o terço - glória ao pai e ao filho, pai nosso, ave maria, santa maria repetidos até à exaustão - enquanto o cortejo à escuras ia tropeçando nas pedras do caminho e pedindo a Deus e Nossa Senhora para não cair e partir um braço ou uma perna.

Eu, como bom Cruzado que era, nos meus 8 ou 9 anos de idade, lá ia acompanhando os outros de vela na mão e olhos fixos naquele que seguia à minha frente e tentando evitar dar alguma topada nas pedras do caminho que me poderiam arrancar uma unha e ficar com um dedo em ferida. Sim, porque sapatos eram um luxo que não tinha ainda chegado a Macieira e os cruzadinhos iam descalços, não para que o sacrifício fosse maior, mas porque era assim a moda dos pobres.

Não vos posso contar se choveu ou não, ou seja, se as nossas preces foram ouvidas lá em cima, mas o mais certo é que não, pois lembro-me do Padre Marques - que nas suas orações rezava por tudo e mais alguma coisa - fazer uma oração especial a pedir a Deus que se lembrasse de nós e enviasse umas pingas de chuva, de cada vez que nos apanhava na igreja.

A Ribeira de Macieira que, vinda de Goios, Chorente e Gueral, atravessava a nossa freguesia levava pouca água, mas a rapaziada da minha idade sempre encontrava uma pocinha onde chapinhar para afugentar o calor. Para mim e os mais que moravam no norte de Macieira, o local escolhido era nas «Pousadas», perto da azenha do Tio Avelino Mariano. Quem é do meu tempo sabe do que falo!.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Os espigueiros!

 

Soube, recentemente, que o espigueiro mais bonito de Barcelos está em Macieira. Tenho que ir lá vê-lo e fotografá-lo para mostrar aqui aos meus leitores. Para quê ir ao Soajo (que é tão longe) se o melhor está na nossa freguesia?

Infelizmente, Macieira não tem grandes motivos de interesse, portanto temos que aproveitar tudo o que aparece para engrandecer a nossa terra. Ultimamente, tem sido o «Alto da Mulher Morta» a atrair as atenções. As melhorias introduzidas no «Caminho de Santiago» que atravessa a nossa freguesia, com o arranjo do parque de descanso e a plantação de algumas árvores de fruto para embelezar o local despertaram a minha curiosidade, mas ainda não tive oportunidade de o visitar.

Clicar na imagem para mais fácil leitura

O quadro acima mostra os antepassados da família que é dona do espigueiro, actualmente. Não consegui reunir todos os dados, mas decidi publicar isto mesmo assim. Se algum membro da família, ainda vivo, me puder ajudar a preencher as falhas eu agradeço.

domingo, 21 de novembro de 2021

Dorna, cuba ou baça?

 Na faina das vindimas e do vinho, usa-se (ou usava-se no meu tempo) uma vasilha para ferver o mosto a que se dava o nome de BAÇA. Hoje, fui consultar o dicionário da Língua Portuguesa e verifiquei que tal palavra não existe. O nome correcto é DORNA ou CUBA, embora este último nome não traduza, exactamente, a ideia do que vos quero transmitir. Vamos ficar pela BAÇA e assumir que é um regionalismo próprio da nossa terra, uma coisa só nossa, o que nos deve deixar orgulhosos.

Ponte da dorna - Castro Laboreiro, Gerês

A vida da lavoura e dos lavradores era muito dura, na primeira metade do Século XX. Máquinas agrícolas não havia, nem tão pouco dinheiro para comprá-las. O trabalho era feito à mão e com a ajuda de animais domésticos que puxavam as alfaias agrícolas. Lavrava-se a terra, com recurso ao arado, e onde ele não chegava era preciso cavar à mão. Hoje, faz-se o trabalho com tractores e onde ele não vai ... fica por fazer, já não se usam cavadeiras.

Este é o panorama em que decorre a curta história que vos vou contar e que se passou, de facto, na nossa aldeia, na década de 50 do século passado. Um jovem casal vivia num lugar bastante remoto da freguesia, tinha dois filhos muito pequenos, um ainda bebé, e labutavam o seu sustento nas poucas terras que tinham herdado de seus pais como dote de casamento. Era uma vida dura, isso vos posso garantir.

Para terem as mãos livres para trabalhar, os pais metiam os miúdos dentro de uma baça, punham-na em cima do carro de bois e seguiam para o campo. Se estava bom tempo, senão ficavam em casa, debaixo de um coberto, onde se guardavam palhas e utensílios agrícolas. Se seguiam com os pais para o campo, tudo o que havia dentro da baça era uma chupeta para o mais pequeno não chorar. A meio do período de trabalho, a mãe ia vê-los e dar-lhe qualquer coisa de comer. Se ficavam em casa deixavam-lhes um naco de broa de milho para irem enganando a fome, até a mãe regressar a casa para fazer o almoço. Dos dois o mais velho era uma menina que devia andar pelos 4 anos de idade, o seu irmãozinho não tinha ainda dois.

O recurso à baça era por uma questão de segurança, assim não corriam o risco de se magoarem. Estavam presos, como um cão na trela, e assim os pais podiam dedicar-se ao trabalho sem a preocupação de verem os filhos aleijar-se. Mas tinha um grande inconveniente, não havia lugar para as necessidades fisiológicas e quando o momento chegava, só lhes restava chafurdar na porcaria até a mãe chegar para resolver o problema.

Os dois irmãos cresceram assim, passaram muitos dias dentro da baça e, por conseguinte, não admira que tenham ficado um bocado estupidificados, em especial, o miúdo mais novo que foi criado pela irmã, como um macaquinho é criado pela sua mãe, sempre pendurado no seu pescoço. Já maiorzinhos, quando se viram livres da baça, era vê-los sempre juntinhos, onde ia um ia o outro e a despesa da fala era só com ela, ele mal levantava os olhos do chão. Tiveram uma infância muito triste, mas ganharam uma afeição um pelo outro que era digna de se ver. Nisso eram um exemplo na nossa freguesia.

domingo, 14 de novembro de 2021

Passei por aqui!


 E não quis sair sem deixar duas palavras. O ano de 2021 está quase a acabar, foram poucas as publicações feitas desde janeiro até agora e as coisas não tendem a melhorar. O blog dos combatentes está às moscas e este pouco menos que isso, não há quem puxe pela carroça e ela assim continua imóvel. Uma espécie de morto-vivo!

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Coisas modernas!

Hoje, não há coisas antigas, mas sim imagens actuais da nossa freguesia feitas a partir do Google Earth. Para quem não conhecer as ruas e caminhos da nossa aldeia, pode vê-los aqui com alguma nitidez. Quando era miúde de Escola Primária, eu ia muitas vezes a Negreiros usando um carreiro que começava no Monte do Adro e acabava no lugar da Mocha (cruzamento da estrada de Chorente com a de Grimancelos). Saía da Fonte do Outeiro, passava pela casa do Genro, pela azenha do Gamelas e depois, pelo meio de campos e bouças, até à Pena, passando ainda por algumas casas do Picoto (lembro-me que morava ali o meu colega de carteira, na escola da Professora Alexandrina, o Delfim do Silvestre) e depois a Mocha (ou Moicha, como dizíamos) meu destino final.

Hoje, não resta nada desses caminhos e carreiros por onde rompíamos a sola dos pés (porque sapatos era coisa que não havia). Por onde não caiba um carro, ou pelo menos uma bicicleta, já não passa ninguém e o mato e silvas tomam conta de tudo. É o desenvolvimento! Os antigos carros de bois foram trocados por potentes tratores e isso trouxe uma grande mudança, basta olhar com cuidado para as imagens que aqui deixo para ver a quantidade de terrenos cultivados, onde antigamente só havia pinheirais. O tempo não pára e o mundo também não.

Estou a chegar aos 80 anos e metade dos meus colegas de escola já partiram deste mundo. O Quim Pimpa e o seu primo Amaro, o Luciano do Mouro, o Geraldino do Padrão, o Armando da Venda, o Tone Pitoilo, o Serafim Farinheiro e, provavelmente, mais alguns que desapareceram sem eu dar por isso. Mas nem vale a pena falar nisso, a vida é mesmo isso!


Talho de Baixo
Fareleira
Carreiro

Modeste

Gandarinha
Outeiro
Travassos

Modeste

Picoto
Leste da freguesia

Fareleira

Centro da freguesia

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Um pouco de História!

 O meu antepassado mais remoto foi o Sr. Pedro de Araújo, cuja descendência podem consultar na imagem abaixo.

Admitindo que houve apenas um Pedro de Araújo, ele foi casado com Maria da Luz, de quem teve duas filhas, no lugar do Outeiro. Depois enviuvou e voltou a casar-se com Maria Alvares e ficou a morar no Picoto, onde nasceram mais três filhas e um filho, de nome Bento, que casou e criou família em Macieira.
Tendo dado o nome de Anna à primeira filha do seu segundo casamento, sou levado a crer que a primeira filha desse nome terá, entretanto, falecido. Com tempo procurarei consultar o Livro dos Defuntos e ver se encontro o registo destas duas mortes, mãe e filha.

Escolhi, hoje, falar sobre a origem do nome Araújo que é parte integrante da minha história de família. Ora vejam, aqui abaixo, o excerto que retirei da Wikipédia:

O progenitor do sobrenome de Araújo provavelmente é Dom Rodrigo Annes, que foi senhor do Castelo e das terras de Araújo localizadas ao sul do Reino da Galiza, na província de Ourense, esse castelo ficava na fronteira entre o Reino da Galiza e o norte de Portugal, alguns apontam o cavaleiro Vasco de Araujo, como o primeiro a utilizar de fato esse sobrenome.

Segundo diversos historiadores, Dom Rodrigo Annes de Araújo, era descendente de membros das famílias reais do Reino de França e do Reino da Borgonha através de um nobre cavaleiro francês chamado Iohannes Tirante, também conhecido como Jean Tiranothe, ou João Tirante em português, [2]este cavaleiro francês juntamente com grande número de cavaleiros da França e da Borgonha, participaram das batalhas da Reconquista na Península Ibérica, ajudando a expulsar os mouros e defender os reinos cristãos, terra reconquistada eram doadas para os cavaleiros que participavam das batalhas, bem como outros privilégios reais.

O Castelo de Araújo,  localizava-se na região de Ourense, no atual município de Lobios, próximo ao Minho, foi um antigo castelo militar medieval, que existiu na fronteira entre os antigos reinos da Galiza e de Portugal  Pesquisas arqueológicas modernas, apontam sua existência entre os séculos XII, quando provavelmente começou a ser erguido, e o século XV, quando foi subitamente destruído.

Segundo alguns escritores, os senhores do castelo de Araújo, seriam descendentes de nobres das antigas famílias reais dos reinos medievais da França, Borgonha, e da nobreza galega. Além do senhorio do Castelo e das terras de Araújo, estes nobres também foram senhores de outros castelos e terras, em Portugal.

As terras de Araújo, onde se situava o castelo da família, receberam o seu nome de uma planta que era muito comum naquela zona (vale do rio Lima) e de que vos mostro algumas imagens.

Araúja - Flor e fruto

Araúja - Árvore com flor

Árvore com fruto

No texto que retirei da Wikipédia lê-se que «foram senhores de outros castelos e terras, em Portugal», ou seja, está explicada a razão que trouxe o Pedro de Araújo, ou os seus antepassados, até ao Lugar do Outeiro, da nossa freguesia de Macieira. E se reproduziram, ao longo dos séculos, chegando até 1944, ano em que eu nasci.

Podem chamar-me Sr. Manuel de Araújo que eu não me importo!


domingo, 6 de junho de 2021

A »Família Domingues»!

Domingos e Domingas foram dois nomes muito usados, em Macieira, no passado. Talvez ainda existam muitos, hoje, mas tirando o Padre Domingos (do Salvador) não conheço nenhum. Mas não é de admirar, pois saí de Macieira, em 1955, com 11 anos de idade e raras vezes lá voltei.
O apelido Domingues que, segundo a tradição latina, significa "filho do Domingos" era também um dos mais comuns, na nossa freguesia, no Século XVII, quando começaram a ser feitos os »Registos Paroquiais», percursores do Registo Civil dos tempos modernos. Havia famílias com este apelido em quase todos os lugares da freguesia. Atentem no quadro abaixo:

Clicar na imagem para mais fácil leitura


A data refere-se ao baptismo do primeiro filho que cada casal registou. Os registos começaram, em Macieira, no ano de 1635 e, sabe Deus, quantos Domingues houve antes disso. O nome de Domenico (depois Domingos) deve ter sido introduzido pelos romanos, durante o primeiro milénio e o apelido Domingues veio logo a seguir com o primeiro filho desse primeiro Domingos.
No Século XVIII já houve menos Domingues e no Século XIX menos ainda. Apelidos como Ferreira, Costa, Silva, Novais, Leitão e, principalmente, Francisco foram ocupando o seu lugar. Nomes próprios, como Francisco, António, André, Manuel e João eram também usados como apelido. Francisco foi o mais comum de todos, não só em Macieira, mas também nas freguesias vizinhas de Rates, Courel, Negreiros, Chorente e Arcos. Houve um período em que eram tantos Franciscos que o pároco da freguesia tinha dificuldades em fazer os registos sem haver confusão. De modo que tiveram que recorrer a vários truques, inclusivé, usando alcunhas, como "O Cego", "O Manco", "O Velho", "O Novo", etc.
O lugar do Rio foi dominado por Domingues, desde o início dos registos até ao ano de 1814 (ver imagem abaixo), ano em que foi registada a Francisca, filha de José Domingues e de sua mulher Thereza Maria. Depois disso vieram os Ferreiras, Silvas, Santos, Soares, Fernandes, Leitão e Novais que tomaram o lugar dos Domingues.



O último Domingues de que tenho registo é do ano de 1896, José Domingues da Costa e sua mulher Maria Campos, do lugar de Penedo e, antes desse, José Domingues de Araújo e sua mulher Maria Josefa, no ano de 1859, do lugar da Aldeia. A partir de Abril de 1911, acabaram os Registos Paroquiais e começou o Registo Civil, cujos documentos não são ainda públicos e, por conseguinte, se há ou deixou de haver Domingues é coisa que desconheço.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Os filhos naturais!

 E a vergonha das mães solteiras!

Na actualidade, em que o casamento está fora de moda, as mulheres engravidam por encomenda e cada vez nascem menos filhos, ser filho de pai incógnito não é problema que tire o sono a qualquer uma. Pois, não era assim nos tempos da minha bisavó Eusébia, único dos meus antepassados mais recentes que nasceu, viveu durante grande parte da sua vida e ficou enterrada no «Cemitério da Agra», quando a sua família abandonou a freguesia, à procura de uma vida melhor.

A minha mãe que era neta da Eusébia nasceu em Rio Mau, foi viver para Macieira, quando entrou para a Escola Primária e abandonou a freguesia, indo morrer a Touguinha, concelho de Vila do Conde, para seguir o marido que no propósito de abandonar a agricultura arranjou emprego na Chenop, empresa de electricidade que electrificou Macieira, no ano em que eu fiz a 4ª Classe. O meu pai que para pedinchar não era peco, aproveitou a passagem dessa empresa pelas freguesias de Macieira e Gueral, recorreu à ajuda das pessoas mais influentes que conhecia e lá conseguiu convencer o "patrão da electricidade" a levá-lo com ele.

Isso fez com que a minha mãe e avó materna fossem morrer e ser sepultadas em Touguinha, deixando para trás os restos mortais da sua antepassada que faleceu, em 1939, na freguesia de Macieira, onde também tinha nascido, 87 anos antes. Como o nosso Presidente da Junta costuma ler estas palavras que vou publicando, deixo-lhe aqui uma pergunta. Seria possível identificar a sepultura onde os ossos da minha bisavó Eusébia ficaram a dormir o sono eterno? Cada vez que passo ao cemitério apetece-me ir fazer uma visita, mas mete-me impressão não saber, exactamente, o sítio onde ela ficou.

E voltando à sua história, pois é disso que trata esta publicação, ela foi mãe duas vezes. A primeira, como mãe solteira, de um rapaz chamado Carlos que nasceu, viveu e morreu no lugar de Lagoa Negra, da freguesia de Barqueiros, concelho de Barcelos e a segunda, já casada, de uma menina a quem puseram o nome de Maria (Maria da Eusébia) que viria a ser a minha avó.


Da minha mãe (Rita da Eusébia) muitos macieirenses, nossos contemporâneos, conhecem a sua história. Da minha avó Maria nem tanto, pois não nasceu na freguesia e, embora tenha lá vivido a maior parte dos seus 80 anos, levava uma vida escondida por trás da sua única filha, do seu genro e dos muitos netos que ajudou a criar. Da minha bisavó Eusébia duvido que algum macieirense se lembre, pois já morreram todos que com ela conviveram.

A imagem do assento de baptismo que vêem acima é do meu tio-avô que nasceu em Pedra Furada, em 1880, e foi viver para a Lagoa Negra com 10 anos de idade, quando a sua mãe se casou com um viúvo lá residente. Ele que tinha ficado viúvo sem filhos e ela com um filho sem pai, encontraram no casamento a solução para ambas as situações que não eram muito agradáveis para nenhum deles. O Carlos passou a ter um pai adoptivo, herdou os poucos haveres de um pequeno lavrador, ali casou e criou 4 filhos, um dos quais emigrou para o Brasil e tem lá descendência, tendo os outros 3 morrido solteiros. mesmo assim, para preservar a (má) tradição da família, uma das suas filhas foi também mãe solteira de um rapaz que ainda vive na casa que foi da sua bisavó Eusébia, casado e com duas filhas para continuar a história da família.

Como curiosidade saliento o nome do padrinho de baptismo que era irmão da Eusébia, também casou na Lagoa Negra (na minha opinião foi ele que "arranjou" o casamento da irmã) e a particularidade de ele já saber assinar o seu nome, coisa pouco comum, no ano de 1880, em que reinava D. Luis I, em Portugal. Outro dado curioso é o nome do pároco, António Alvares da Silva, nascido e sepultado em Pedra Furada, mas que quase de certeza era oriundo de uma família de Goios, da qual veio para Macieira uma Maria Alvares da Silva que casou no Outeiro e foi antepassada da minha bisavó Eusébia. Aliás, ninguém me disse, mas eu estou convencido que foi esse facto que fez a mãe solteira fugir de Macieira para Pedra Furada, quando se viu grávida, ou seja, acolher-se à protecção do pároco da freguesia que ainda era seu parente.

terça-feira, 11 de maio de 2021

A Tia Rosa Velha!

 A Tia Rosa do Jerónimo morava mesmo em frente da mina casa e era forçoso que a encontrasse a cada passo, para além de ela ir, frequentemente, a minha casa pedir ajuda para as mais diversas tarefas, a primeira das quais era ir com ela para o «Campo da Fonte» tomar conta das ovelhas, enquanto ela andava nas suas lides. A sua mãe, originária da freguesia de Rio Covo - Santa Eugénia, morreu era eu ainda muito novo, mas consigo situá-la na minha memória, talvez mais por "ouvir dizer" que por lembranças próprias.,

Curioso sobre este facto, fui pesquisar os registos paroquiais antigos para tentar descobrir a data do seu falecimento, o que consegui com alguma sorte (como se pode ver pelo assento acima). Os óbitos eram comunicados ao Registo Civil de Barcelos que fazia os necessários averbamentos (à margem) nos respectivos assentos de baptismo. Isto era um bom costume que muita ajuda quem procura reconstituir a sua árvore genealógica, mas que, infelizmente, nem sempre era respeitado por todos os Conservadores, não sei se por incúria ou falta de pessoal.

Assim, fui a Santa Eugénia confirmar se o averbamento do óbito tinha sido feito e acertei na mouche. Lá estava registado "faleceu em Macieira, no dia 7 de Janeiro de 1949, tinha eu 5 anos menos 2 meses. Por isso me lembro de ouvir dizer, quando entrava na casa da Tia Rosa, este é o quarto da Tia Rosa Velha. E fui ouvindo isso, ao longo da minha infância, por isso o recordo tão bem. Sendo a Tia Rosa uma filha solteira, calhou a ela a tarefa de cuidar da mãe até à sua morte. O seu marido, Zé do Jerónimo, irmão do meu trisavô Joaquim, já devia ser defunto nessa altura, pois nunca ouvi referir o seu nome.

Isto de parentescos antigos nem sempre é fácil de entender. A minha avó Maria era sobrinha-neta desse Zé do Jerónimo, pai da Tia Rosa. Elas as duas, Rosa e Maria, tratavam-se por primas, mas havia uma geração de diferença entre elas, ou seja, a Tia Rosa era segunda prima da minha avó, pois prima direita era a minha bisavó Eusébia. Todos eram descendentes do velho Jerónimo Ferreira, mas enquanto a Tia Rosa passou a usar a alcunha de Rosa do Jerónimo, a minha avó ficou como Maria da Eusébia. A minha mãe ainda era conhecida, em Macieira, por Rita da Eusébia, mas eu, por exemplo, já passei a ser conhecido por «Manel da Rita» e dos Jerónimos e Eusébios não herdei nada. 

terça-feira, 4 de maio de 2021

O Quim do Velho!

 Hoje, não tendo nada melhor para fazer, decidi dedicar uns minutos a escrever algo sobre os ascendentes do Joaquim Sousa, também conhecido por «Quim do Velho», ou seja, seu pai, Manel do Velho, seu avô David do Jerónimo e sua avó Maria do Velho. Muita confusão com as alcunhas, não é? Só para quem não está por dentro do assunto.

Comecemos pelo princípio. Esta história começa em Rio Covo, Santa Eugénia, quando o Joze Alves Ferreira de Sousa, neto do Tio Jerónimo Ferreira, do lugar do Outeiro, foi a essa distante freguesia pedir em casamento a sua namorada Rosa. O casamento realizou-se nessa freguesia, no ano de 1885, conforme registo que podem ver abaixo.



Tive que dividir o registo em 3 pedaços para se poder ler

Desse casamento nasceram vários filhos, entre eles o David que herdou o nome de Jerónimo do seu bisavô (que usou como alcunha) e ficou a ser conhecido por «David do Jerónimo». Até aqui está tudo claro, não é verdade? Depois o David viria a casar-se com a Maria do Velho, filha mais velha do casal formado por Manuel António de Araújo e Margarida Ferreira do Padrão (padrão era o nome do lugar onde moraram os seus antepassados, mas passou a fazer parte do nome, pela capacidade inventiva do pároco da freguesia).
E aí passou a haver, no lugar do Outeiro, uma mistura de Jerónimos com Velhos, coisa que me deu volta à cabeça, durante muitos anos, por não saber a origem dessas alcunhas. Que eu saiba, os filhos do Tio David nunca foram conhecidos por «Do Jerónimo», mas sim por «Do Velho» que era a alcunha da sua mãe Maria. Destes filhos, o mais conhecido foi, sem dúvida alguma, o Manel do Velho, por causa da profissão que escolheu, a de taxista. Era o único táxi nas redondezas e muitos macieirenses o utilizaram, eu inclusivé. Eu e vários colegas de escola fomos até Barcelos, em Junho de 1955, para fazer o exame da 4ª Classe.
Pois, para finalizar, o Quim do Velho, a que se refere o título desta publicação, é um dos filhos do famoso taxista de Macieira, um dos mais novos, suponho eu, mas mesmo assim não se livra da alcunha de «Velho» herdada da sua avó Maria.

quarta-feira, 3 de março de 2021

A Cumieira que tenho na memória!

 

Passei, há dias, na Cumieira, na estrada que liga a freguesia de Courel ao lugar de Penedo. A estrada está alcatroada e as casas são de construção moderna, muitos diferentes daquilo que retenho na memória, do tempo em que morava em Macieira. A Cumieira era um lugar muito pobre com casas que não passavam de barracas, alinhadas ao lado do caminho de terra batida que seguia pelo meio das bouças até Courel. Ali viviam as pessoas mais pobres da freguesia, além de um ou outro lavrador.

Sei que as minhas memórias são velhas de sessenta anos. Saí de Macieira em 1960 e se alguma vez lá voltei, nunca passei do lugar do Outeiro, onde nasci, ou do Outeirinho por ser o centro da aldeia. E a segunda metade do Século XX foi tempo de grandes mudanças provocadas, em primeiro lugar, pela Guerra do Ultramar e depois pela emigração. Houve outra abertura ao mundo e principalmente começou a haver mais dinheiro no bolso das pessoas.

E depois, a agricultura deixou de ser a única fonte de rendimentos, vieram as fábricas têxteis e de confecções criar mais emprego e, especialmente, emprego para as mulheres. Nesse tempo que ainda retenho na memória, havia apenas 3 automóveis em Macieira. O primeiro era o táxi do Manel do Velho, o segundo o carro do Dr. Alves, médico da freguesia, e o terceiro era do brasileiro de Penedo. Hoje, os carros são tantos que já embaraçam!