domingo, 25 de agosto de 2024

Rua das Correias!

 Há dias, encontrei-me com o J. Novais (ex-presidente da JF) e perguntei-lhe se conhecia a razão de terem dado o nome de Rua das Correias à rua onde morava o avô do Amaro que eu visitei muitas vezes no regresso da escola. A resposta veio com um sorriso de vaidade, dizendo que foi ele o inventor de todos os topónimos da freguesia, quando esteve na JF e a Rua das Correias, porque morava lá uma velhota chamada Anna Correia da Silva, a última resistente que era, nem mais nem menos a avó do Amaro.

Nascida em 1880, filha de José Correia da Silva (apelido vindo de Arcos, alguns anos antes), do lugar do Rio, casou com o avô do Amaro, em 1906, vindo a falecer, em Dezembro de 1961, data em que eu já morava em Touguinha, freguesia do concelho de Vila do Conde.

Por qualquer razão ficou mais conhecida a avó que o avô do Amaro, dando o nome à rua, onde viveu até a morte a levar. No entanto, o lugar do Formigal, a que a rua pertence, era uma espécie de feudo da família Mattos, desde que esse apelido viera de Rates. Seria por isso mais lógico que a rua tivesse recebido o nome do avô e não o da avó do meu amigo Amaro.

Uma vez que não tenho acesso aos registos posteriores a 1910, não sei quantos filhos teve este casal. Há dois que nasceram antes da queda da Monarquia, a Clara e o António (pai do Amaro), mas podem ter nascido mais algumas filhas que sobreviveram à mãe, povoando essa tal rua até aos fins do século XX. E talvez fossem essas "Correias" que o Eng. Novais conheceu e o levaram a baptisar a rua em sua homenagem.

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Ainda o nome Macieira!

 

Já publiquei vários documentos a respeito da família Macieira, oriunda da família Martins de Modeste, mas neste é mais fácil perceber a evolução.

Do Manuel Martins nasceu Bernardina, da Bernardina nasceu Manuel, do Manuel nasceu Paulino e deste nasceu António que é o último membro da família Macieira nascido no tempo da Monarquia e dos Registos Paroquiais a que tenho acesso na internet.

O Luis, irmão de Paulino, também casou em Macieira e teve vários filhos, mas decidi excluí-lo desta imagem, uma vez que andava apenas à procura dos ascendentes  da Casa do Paulino de Modeste. O actual dono dessa casa pode ser um filho, ou talvez um neto, do António, nascido em 1910.

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Macieira, o nome e a fruta!


 Já li várias teorias a respeito do nome de Macieira  tentando ligar o nome da terra ao nome de uma pessoa que foi dono destas terras que, actualmente, compõem a nossa freguesia. Até pode ser verdade, mas eu prefiro a teoria dos brasileiros que atribuem o nome da sua Macieira (Prefeitura de) a uma macieira que existia junto ao paiol dos tropeiros que deu origem à povoação, a qual passou a Prefeitura já nos finais do Século XX.

Não há fruto mais bonito que a maçã e por consequência a árvore que a produz e a freguesia que recebeu o seu nome.

Talvez tenha existido gente a usar o nome de Macieira, mas é quase certo que nunca moraram na nossa freguesia, seriam apenas os donos das terras de onde os lavradores tiravam o seu sustento e o foro que eram obrigados a pagar ao seu dono e senhor.

O nome voltaria a ser usado e, desta vez com documentos que o atestam, em tempos mais recentes. Manuel, filho natural de Bernardina Martins, de Modeste, herdou esse título ninguém sabe como. Mas eu, como sempre, tenho uma teoria que explica isso. Sendo filho de pai incógnito o Manuel só teria direito a um apelido, o Martins de sua mãe, mas quis esta que ele usasse outro que substituísse o do pai ausente. E registou-o como Manuel Martins (de) Macieira. O Paulino que deu origem à casa e família que ainda hoje existe, no lugar de Modeste, é descendente directo deste Macieira e nasceu em 1884, assim como o seu filho António, nascido em 1910.

Talvez eu tenha já abordado este assunto, no passado, mas falar de Macieira nunca me cansa!

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Lenda da «Mulher Morta»!

 Há dias, a respeito da Festa de S. Tiago, li que iam fazer uma encenação teatral desta lenda que teria dado o nome à zona da freguesia que liga as 3 freguesias, Courel, Rates e Macieira.

Há alguns anos atrás, num dos meus blogs, fui eu que publiquei essa lenda, mas deixei bem claro afirmando que não a ouvira da boca de ninguém, era apenas uma ideia criada por mim para explicar esse estranho nome. Agora, parece que alguém conhece outra lenda, ou então, aceitaram a minha como única e verdadeira!

sábado, 27 de julho de 2024

Fotos!

 


Apenas duas fotos das que tirei, na igreja, durante a cerimónia no dia do nosso santo. Em evidência os padres que compareceram para comemorar o 60º aniversário da Missa Nova do Pe. António F. Araújo, filho do Tio Salvador do Velho!

A presença de D. Jorge Ortiga, arcebispo emérito de Braga, foi para mim uma surpresa e ainda mais quando soube que ele nasceu no mesmo mês, do mesmo ano, que eu.

Foram relembrados os muitos padres com origem em Macieira, a maioria já falecidos. Dos presentes só conheci o Pe. António e o seu irmão mais novo, Domingos!

quinta-feira, 25 de julho de 2024

Recordações!


 O que mais me lembro da festa de S. Tiago é a fila de bicicletas arrumadas na valeta da estrada, na subida de Travassos. Nesse tempo, pouco depois do fim da II Grande Guerra, era o único transporte disponível nas aldeias do norte de Portugal. Carros só o do Dr. João Alves, motorizadas ainda não tinham chegado (ou faltava o dinheiro para as comprar) e era a bicicleta que trazia os rapazes de Gueral, Courel, Negreiros e Chorente para alegrar a nossa festa.

Havia sempre alguém que a troco de uma moedinha tomava conta da "burra" até ao fim da festa. Do Rio do Souto até ao Outeirinho não havia bicicletas, portanto iam sendo empilhadas pela valeta acima até chegar à casa da Tia Silvina (que por acaso era a madrinha de uma das minhas irmãs que lhe ficou com o nome). Para quem vinha dos lugares mais a norte da freguesia era a presença das bicicletas que anunciava a proximidade da festa.

Não havia barracas de farturas, como há, hoje, mas aparecia sempre a padeira de Alvelos com a sua oferta da rosca e uns bolinhos de açúcar e clara de ovo. Além disso pouco mais havia e a grande festa constava de sermão e Missa Cantada, talvez também uma procissão com o andor do santo, mas disso já não me lembro. Em casa dos lavradores havia rancho melhorado, como se diz na tropa, em casa dos pobres havia "alegria e barriga vazia".  

Acompanhar o namorado ou a namorada era a verdadeira festa dos jovens, os mais velhos sentavam-se pelos cantos a recordar os tempos passados que nem sempre eram de boa recordação. E o sino? Esse sim é que era o arauto da nossa festa. Tínhamos um verdadeiro artista no toque do sino, não me recordo já do seu nome, mas lembro-me como ele fazia repicar todos aqueles sinos ao mesmo tempo.

Hoje, vou dar um pulo à terra que me viu nascer, mas duma coisa tenho a certeza, não vou ver uma única bicicleta no tope de Travassos, a malta, agora, anda toda de carro!

domingo, 14 de julho de 2024

S. Tiago o mata-mouros!

 

Vem aí a festa de S. Tiago e quanto mais soubermos a seu respeito, melhor!

Tiago, o apóstolo de Jesus, já devia ser um homem (maior de idade) quando Jesus o convidou a segui-lo e transformar-se num pescador de homens. Como foi martirizado e decapitado com a idade de 44 anos, vamos concentra-nos naquilo que teria feito nos seus últimos 20 anos de vida.

Após a morte do seu mestre e da descida do Espírito Santo sobre todos os apóstolos reunidos, pelo desígnio de Deus, partiram estes em todas as direcções para espalhar a palavra sobre a nova religião, o Cristianismo. O Médio Oriente, como seria lógico, seria a zona primeira, onde essa palavra foi conhecida, com a Grécia e a Turquia em grande destaque.

Por razões que ninguém conhece o apóstolo Tiago veio parar à Península Ibérica e envolveu-se na luta contra os mouros que, por essa altura, ocupavam a maior parte daquilo que é, hoje, o reino de Portugal e de Espanha. Digamos que a fé cristã foi imposta à espadeirada e não com palavrinhas mansas aos infiéis que no primeiro século da nossa era viviam no norte de África e se espalharam para a nossa península (Hispânica, no dizer dos romanos).

A sua luta começou mais a sul, naquilo que hoje é a Estremadura espanhola, mas veio viajando para norte, no cumprimento da ordem de Jesus - ide e espalhai a minha palavra - chegando à zona da Finisterra. Segundo a crença, ou a lenda, celebrou missa num altar de pedra, não muito longe de Compostela e dando por concluída a sua missão regressou a Jerusalém, onde foi preso e morto pelas autoridades romanas que eram quem ali mandava, nesse tempo, e não aceitavam ainda o Cristianismo.

Depois da sua morte, o seu corpo foi recolhido por alguns fiéis e metido numa arca de pedra, a qual foi trazida até à Galiza num barco de pescadores, por saberem que foi nessa terra que viveu o período mais importante da sua curta vida. E, no mesmo lugar onde celebrara a primeira missa, foi enterrado e em breve passaria ao esquecimento das gentes que tinham muito mais coisas com que se preocupar.

Alguns séculos depois, com o Cristianismo já aceite em Roma e em franca progressão por toda a Europa, a Igreja e os seus dirigentes mostraram grande interesse em descobrir o local, onde o santo foi enterrado, e transladar os seus restos mortais para a catedral de Compostela, onde se diz (mas nunca foi provado) que repousam até hoje.

Daí as peregrinações a Compostela e os diversos caminhos que, de toda a Europa, levam os peregrinos até ao local sagrado, onde repousa S. Tiago, o apóstolo e mártir. Tal como aquele que vindo do sul passa em Macieira e segue para norte, até Valença, onde entra na Galiza!

quarta-feira, 10 de julho de 2024

S. Tiago, o Caminho e as Macieiras!

Tiago nasceu na Galileia e era filho de Zebedeu e Salomé, segundo as Sagradas Escrituras. Era irmão de João Evangelista, ambos pescadores. É sempre citado como um dos três primeiros apóstolos, juntamente com Pedro e André.

A vida de Tiago muda quando aceita o convite de Jesus para ser “pescador de homens”, como narra o Evangelho de São Mateus: “Jesus viu dois irmãos, Tiago de Zebedeu e João, seu irmão, que, junto com o pai, ajeitavam as redes no barco. Eles, imediatamente, deixaram o barco e seu pai, e o seguiram”.



Está quase a chegar o dia em que se celebra este santo, na nossa freguesia de Macieira. Conta-se e não há quem o negue ou confirme que o apóstolo Tiago, irmão de João, passou por Rates e seguiu viagem até Compostela, onde celebrou missa e pregou a nova religião, tal como Jesus de Nazaré a ensinou, a religião do amor ao próximo - amai o próximo como a vós mesmos.

Ainda não se chegara ao meio do primeiro século da nossa era - este apóstolo foi martirizado e decapitado na ano 44 - e a nossa freguesia de Macieira não deveria ainda existir. Mas já existia o Caminho que vindo do sul, ligava Rates a Compostela, não por causa do santo que ainda era vivo e só foi santificado muito tempo depois, mas por causa do comércio que ligava a região do Porto ao norte da Península por razões económicas.

Caminho esse que o apóstolo seguiu espalhando a palavra de Deus a todos com quem se cruzava. Entre as elevações de Rates e Courel existe uma baixa densamente arborizada e atravessada por um regato, onde os almocreves paravam os seus animais e descansavam da longa jornada. Tal como, hoje, existem, plantadas pelo pessoal da Junta de Freguesia, devem ter existido também macieiras, na orla desse caminho e nas margens desse regato.

Eu acredito nessa teoria de terem sido esses almocreves e outras gentes que usaram esse caminho, também denominado, mais tarde, como Estrada Real, quem deu o nome de Macieira a esse local de descanso, entre o Porto e Barcelos. Há ainda quem acrescente que também recebeu o mesmo nome o outro lugar, Macieira de Vilarinho, primeiro ponto de descanso, depois de sir do Porto, em direcção a norte.

Carregadas as mercadorias e atrelados os bois, cavalos ou mulas aos respectivos carros punha-se toda a gente em movimento, sabendo já que entre o ponto de partida e a cidade de Barcelos haveria duas paragens, no lugar das macieiras, tanto na de Vilarinho como na de Rates. Ali se descansava, se tomavam as refeições e se dormia até ao nascer do sol, hora em que se retomava a viagem.

Lembro aos macieirenses que, no dia 25 deste mês, devem ir até ao lugar da «Mulher Morta», onde foi construído o parque de descanso dos peregrinos, e dirigir uma prece ao santo que veneramos, lembrando a data em que ele por ali passou evangelizando as gentes do noroeste da Península, muitos anos antes de existir Portugal.

terça-feira, 2 de julho de 2024

Um caso raro!

 Causou-me grande espanto o casamento do pai do Amaro que à data tinha 25 anos, com uma mulher tão mais velha que ele. Eram 28 anos de diferença! O que teria motivado este casamento? Nunca o saberemos, pois os protagonistas faleceram, há muito, e os descentes eram novos demais para saberem dessas coisas.

Li e reli os documentos disponíveis na Torre do Tombo e parece-me não restarem dúvidas. O noivo nasceu em Janeiro de 1910 e a noiva em 1882. Verifiquei a paternidade dos dois e acho que não restam dúvidas. O que me deixou ainda mais surpreendido foi a idade com que teve os dois filhos que eu conheci pessoalmente, o Amaro que nasceu 7 anos após o casamento e a Arminda 1 a 2 anos depois.

Um caso assim só na Bíblia, quando Deus prometeu um filho a Abraão, sendo a sua mulher já muito velha e nunca ter dado à luz qualquer filho, razão pela qual era considerada estéril. Mas Deus é todo-poderoso e fez o milagre. O nascimento do Amaro, em 1942, quando a sua mãe já tinha 60 anos, deixa-me de boca aberta! Um verdadeiro milagre, a não ser que haja outra explicação para o facto e que eu desconheço.

Nos velhos tempos, não era raro esconder o nascimento dos filhos, ditos naturais, ou seja, cujo pai era desconhecido. E a Srª Tomásia podia ter aceitado registar em seu nome o Amaro para encobrir o "caso" de uma irmã mais nova, por exemplo. E pouco tempo depois, repetir a coisa, quando nasceu a Arminda. Esconder a gravidez era possível e arranjar uma mãe postiça também, num tempo em que os partos eram feitos em casa e em completo sigilo, se a grávida assim quisesse.

Pessoalmente, acredito mais nessa possibilidade que num milagre a fazer lembrar Abraão e a sua mulher Sara.

Sara também enfrentou a esterilidade, concebendo miraculosamente em avançada idade.[3]Então caiu Abraão sobre o seu rosto, e riu-se, e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? E dará à luz Sara da idade de noventa anos? Gênesis 17,17.E disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque, e com ele estabelecerei a minha aliança, por aliança perpétua para a sua descendência depois dele. Gênesis 17,19

Para algum familiar mais curioso que queira conferir os dados relativos ao Sr. António Ferreira de Matos, pai do meu amigo Amaro, aqui deixo o seu registo de baptismo, que, nos tempos da Monarquia, era o único documento existente para provar o nascimento de qualquer cristão. Ali se pode ver que nasceu, em 1910, casou em 1935, enviuvou e e voltou a casar, em 1950, falecendo, em 1988.



segunda-feira, 1 de julho de 2024

Meu amigo Amaro!

Para corrigir e/ou completar a minha última publicação, aqui fica o assento de baptismo do pai do meu amigo Amaro, meu colega de 4ª Classe e meu companheiro de brincadeira e muitas aventuras. Mais velho e experiente que eu, serviu-me de conselheiro em muitas situações com que me confrontei sem saber como agir ou reagir. 

Como se pode ver no registo, ele era filho de António e neto de Luiz, todos eles Ferreira de Matos de apelido, moradores no lugar do Formigal. A sua mãe nasceu em 1882, casou em 1935 e faleceu em 1950. Fiquei de olhos arregalados, quando me confrontei com estas datas, pois considero pouco menos que impossível uma mulher conceber e dar à luz 2 filhos, depois dos 55 anos de idade, mas parece que não há erro nestes dados. O nome Tomásia e o apelido Ferreira Braga são únicos, em Macieira.

Agora, compreendo melhor a razão por que o Maro ficou órfão com apenas 8 anos de idade, a sua mãe já era velha quando ele nasceu e nesses tempos, meados do Século XX, 65 anos era a expectativa de vida para qualquer pessoa. E também o que justificou que o viúvo tivesse ido a Vilar de Figos buscar uma nova mulher para repartir com ela o resto da sua vida, tinha apenas 40 anos e muitos para viver. E foi essa mulher que acabou de criar os dois irmãos, Amaro e Arminda, que tinham ficado sem mãe.

E foi assim que o apelido de Matos se espalhou pela freguesia de Macieira, juntando o lugar da Gandarinha aos outros, onde viviam já outros membros desta grande família!

domingo, 30 de junho de 2024

Os Matos do Formigal!

Há dias, fui a Macieira e tentei encontrar a Minda do Matos, mulher que anda pela minha idade e, salvo erro, é já viúva, mas não estava em casa e o meu intento saiu gorado.

Queria fazer-lhe uma série de perguntas, começando pela morte prematura do seu irmão Amaro e acabando no nome dos seus avós que eu suponho serem o António Ferreira de Matos e a Ana Correia da Silva, cujo casa mento não se realizou em Macieira, levando-me a crer que a Avó Ana não era de Macieira.

Outra coisa que me deixou perplexo foi a placa com o nome de Rua dos Correias afixada na parede da casa que foi do Miguel Matos, no lugar do Formigal, e que se refere à rua onde moravam o avô do Amaro a quem acompanhei algumas vezes, quando ele ia visitar o avô no regresso da escola. Será que deram o nome à rua em memória da avó Ana Correia da Silva?

Uma vez que não há registos que me possam elucidar sobre isto, só a Arminda, irmã do Amaro me poderá elucidar. Tenho que continuar a tentar encontrar-me com ela, antes que morra!

Outra dúvida que tenho é sobre o antigo lugar do Formigal que tendo desaparecido passou pertencer ao Outeiro, em parte, e a Travassos, na parte restante. Assim, entendo que a casa da Tia Palmira (dos ovos) e as casas que estão na actual Rua dos Correias, pertencem ao lugar do Outeiro. Será?

quinta-feira, 27 de junho de 2024

O padre dos 3 M!

 Quem casou os meus pais, no ano de 1939, foi o Padre Portela que paroquiava a nossa freguesia, nessa data . A minha irmã mais velha, nascida em 1940, ainda foi baptizada por ele. Pouco depois, chegou a Macieira o padre dos 3 M - Manuel Martins Marques - que era uma boa bisca e me baptisou a mim. Depois de se retirar foi viver para Merelim (S. Pedro), onde viria a falecer. Assim, esta sua última residência acrescentou mais um M à sua identificação, ou seja, Manuel Martins Marques de Merelim.

Foi durante o seu "reinado" que eu abandonei Macieira e nunca mais o vi, depois dessa data. Vim aqui deixar esta nota, porque tinha pensado em fazer uma lista de todos os párocos que passaram pela nossa freguesia, mas fazer isso através dos registos fotográficos que estão disponíveis na internet dá uma trabalheira danada e eu já não tenho olhos para isso.

Assim, preferi deixar aqui o nome do primeiro pároco que deu início aos «Registos Paroquiais» e cuja assinatura se pode ver no documento acima, Francisco de Villas Boas, e que corresponde ao Assento de Baptismo do Manuel, filho de Manoel Fernandes, .

E fica também o nome do pároco que assinou o «Termo de Encerramento» do Livro dos Baptismos, em 30 de março de 1911, data a partir da qual se iniciou o Registo Civil, por ordem da república recém-instalada, em Portugal. O seu nome era Joaquim Gonçalves Liras (ou coisa parecida, pois o último apelido é pouco menos que ilegível).

E pronto, aqui fica a menção aos 3 párocos (para mim) mais marcantes de Macieira, começando pelo que me baptisou e prestando a minha homenagem ao P.e Francisco que iniciou os registos e ao P.e Joaquim que os encerrou, logo que a Monarquia perdeu o seu lugar no nosso país.

domingo, 16 de junho de 2024

Passagem de testemunho!

 

20-09-1879

Na imagem acima pode ver-se o nome do pároco Severino de Oliveira Lima (falecido no dia 6 do mesmo mês), aposto pela última vez num documento da igreja, assim como o do Presbítero, Manuel Fernandes de Souza Campos que lhe viria a suceder no cargo de pároco de Macieira.

Muitos dos registos anteriores a este levavam ainda o nome do P.e Lima, embora ele estivesse já retirado das suas funções devido à doença prolongada que o acometeu, logo após o início das obras da igreja nova que estava a ser construida no lugar do Outeirinho.

Inauguração do cemitério da Agra!

 




 Neste livro e na página 86, aparece o assento de óbito que podem ver acima e que foi o primeiro inquilino do novo cemitério da Agra, o mesmo que hoje existe e já com o dobro do tamanho. Pensei em passar o assento a letra de forma, de modo que fosse mais fácil de ler, mas devido ao reduzido número de visitantes que tem este blog não se justifica o esforço e tempo perdido. Quem estiver, realmente, interessado no assunto conseguirá decifrar, tal com eu, o que ali está escrito.

Demorei algum tempo a localizar este registo, mas como eu sabia que ele existia insisti até ele me aparecer à frente dos olhos, o que aconteceu hoje, dia 16 do 6 de 2024.

A 21 de Janeiro de 1888, portanto uns bons anos antes da inauguração da igreja nova, deixou de ser utilizado o cemitério provisório que funcionou durante alguns anos, após ter cessado o costume de enterrar os mortos dentro da igreja. Lembro que em Setembro de 1879 faleceu o Padre Severino de Oliveira Lima, pároco de Macieira, que foi ainda sepultado dentro da igreja. Foi ele que, uns anos antes, tinha lançado a obra da igreja nova, mas não chegou a vê-la em pé.

Há quem diga, mas isso não consegui confirmar, que este Sr, Manuel Gomes Pereira, morador no lugar do Lubar, era o dono do campo da Agra que lhe foi expropriado para construção do cemitério. Ele quis ser o primeiro habitante do terreno que era seu por direito e a freguesia lhe tirou para enterrar os seus mortos.

segunda-feira, 10 de junho de 2024

 Como não dediquei grande atenção aos assentos de óbito, deixo aqui 3 casos que me chamaram a atenção, enquanto procurava por outras informações.


Em primeiro lugar a data da morte da minha trisavó materna
casada que foi com Joaquim Álvares de Souza

Em segundo lugar o registo da morte de uma das filhas
da Tia Rosa Velha e José Alves de Souza

E, por último, o registo de óbito Nº 1 do Século XX

O «Dono da obra»!

 


Já que no post anterior se falava desta personagem e da sua saúde, ou falta dela, deixo aqui a notícia do seu falecimento!

A igreja nova!

Situada no lugar do Outeirinho, em sítio destacado, foi construída nos finais do séc. XIX. A igreja velha, que ficava situada a sudoeste da atual, encontrava-se em ruínas e era pequena para as necessidades do culto.

Para a construção desta nova igreja, foi utlizada parte da pedra da antiga igreja. Também a antiga pia batismal e outros acessórios passaram para a nova igreja paroquial.

Segundo Rios Novais (“Notas Ligeiras a Propósito da Visita Pastoral a Macieira”, 1944) foram grandes entusiastas da nova igreja, o pároco, Pe. Severino Oliveira Lima, que presidiu à comissão de obras, mas que, por falta de saúde, foi substituído por João Francisco da Silva Novais, um dos paroquianos que integravam a respetiva comissão, constituída ainda pela Junta, composta por José Francisco do Padrão e José António de Araújo e o regedor, Manuel Pereira Gomes Palmeira.

A obra de pedreiro começou em 1876 e terminou em 1877 e a de carpinteiro iniciou-se em 1878, despendendo-se nestas obras o valor global de 5.250$000 reis.

Segundo Manuel Ferreira de Araújo (“S. Adrião de Macieira/Barcelos”, 2008), e, de acordo com a ata da Junta da Paróquia, de 6 de fevereiro de 1878, houve necessidade de contrair um empréstimo de 4 contos e 200.000 reis, pago com 450.000 mil reis anuais, como amortização e juros não excedentes a sete por cento, e por meio de derrama.

A igreja paroquial possui uma torre com sinos que vieram da igreja velha. Nos finais do séc. XIX, houve necessidade de encurtar o badalo do sino da torre por causa dos dementes e bêbados andarem a tocar o sino, segundo Manuel Ferreira de Araújo, de acordo com a ata da Junta de Paróquia, de 6 de fevereiro de 1898.

A torre da igreja possui ainda um relógio que foi oferecido por Ana Vieira de Freitas e seus filos, casada com Joaquim Martins de Freitas, residentes no Brasil. Foi inaugurado em 1 de janeiro de 1909, conforme atesta a inscrição esculpida em mármore. De um lado: “Este relógio foi oferecido ao povo de Macieira de Rates pela Ex. mª Snr.ª D. Anna Vieira de Freitas e seus filhos naturais da cidade do Rio de Janeiro (Brazil)”. Do outro lado: “Esposa e filhos do Snr. Joaquim Martins de Freitas natoral desta villa inaugvrado no 1 de janeiro de 1909”

Do lado esquerdo da capela-mor, está a sacristia, por cima da qual há uma sala, com comunicação para o exterior e onde funcionou uma escola.

Havia uma outra igreja, mais antiga, construída no chamado “Monte do Adro”, que teria servido de igreja paroquial de Macieira e Chorente, segundo Rios Novais. Situava-se numa bouça, junto a um campo, pertencente aos herdeiros de Amaro Martins da Silva (quem vai da antiga azenha do Sá para o Monte do Adro, passando a Ponte da Lamela, à direita do referido campo), conforme especifica Manuel Ferreira de Araújo.

Diz-se que esta Igreja do Monte de Adro servia quatro freguesias: Chorente, Courel, Gueral e Macieira, num total de 151 moradores, segundo os censos de 1527, citados por Tetónio da Fonseca.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Família do Junqueiro!

 

A «Casa do Junqueiro», no Outeirinho, foi construída sobre as ruínas da velha igreja de Macieira que foi abandonada e demolida no último quartel do Século XIX (1873, se não estou em erro). José Gomes Alves, vindo de Gilmonde, foi quem meteu mãos à obra, demolindo o resto das paredes que tinham ficado de pé e usando essas pedras para fazer os alicerces da casa nova.

Como se pode ver no registo acima, a noiva era de Macieira e era ainda menor de idade, quando se casou, nem 15 anos tinha completado ainda! O Pároco, como era da praxe, menciona isso no Assento de Casamento para que não fiquem dúvidas da legalidade do acto. Casamento 2 dias antes do Natal de 1896 e antes de fazer um ano nasceu a sua filha mais velha, de seu nome Ana.

No meu tempo, meados do século XX, já era dono da casa o seu filho Manuel, único filho varão da família Junqueiro, pois todos os outros filhos deste senhor que veio de Gilmonde para Macieira eram mulheres, uma delas, a Clementina, minha madrinha de baptismo.

Pelo que me contou a minha madrinha, ela já era moça criada, quando o pai começou as obras da casa que referi acima. Disse-me ela e eu não tenho razão para duvidar que ao abrirem os alicerces, em cada cavadela encontravam um osso humano. É muito natural, disse-lhe eu, pois era costume enterrar os defuntos dentro da igreja e apenas alguns (poucos) foram enterrados num cemitério provisório que foi aberto num campo que ficava a sul da igreja, do lado de lá do caminho que dali segue para o Lubar. Pouco tempo depois foi inaugurado o Cemitério da Agra, como o conhecemos hoje.

Lembro-me de haver um rapaz, filho do Tio Manel do Junqueiro que era, mais ou menos, da minha idade que se chamava Joaquim, será hoje, um venerável octogenário se ainda for vivo. Além desse filho só me lembro do João que era estudante no Seminário de Braga, se formou como padre e cantou missa, mas depois abandonou a batina para se casar com uma rapariga que, entretanto, conheceu. Melhor assim do que andar a fazer vergonhas (como alguns que eu conheço).

Por falar nisso, a minha madrinha ia aos arames sempre que eu lhe chamava João, pois ela "exigia" que fosse tratado por Sr. Padre João. Imagino o desgosto dela, quando ele se casou e começou a dormir com uma mulher na cama. Que escândalo, meu Deus!!!

quinta-feira, 23 de maio de 2024

Casa do Couto!

 O David, filho do meu padrinho com quem eu mais convivi por sermos ambos estudantes de padres, na década de 50 do século passado, ele nos seculares de Braga e eu nos Jesuítas de Cernache, faleceu. Na última vez que tive o prazer de falar com ele, contou-me que tinha ficado com a casa dos seus pais, depois das partilhas. Pouco tempo durou, depois desta nossa última conversa, ao balcão do Café do Padrão, em Macieira, onde nos encontrámos por mero acaso.

Agora que ele partiu para fazer as contas com S. Pedro, a casa deve ter ficado para o seu filho Luis de Oliveira que é médico especialista em Oftalmologia e trabalha em Vila do Conde, ou para a sua filha. Sendo gente da cidade, pensei que poderiam passar a casa a patacos e investir o dinheiro noutra coisa qualquer e que lhe ficasse mais à mão, já que moram em Vila do Conde.

Na semana passada fui a Macieira, até almocei num restaurantezinho que existe ao lado da Bomba de Gasolina, não sei se ali é Outil ou Socarreira, e passei pela casa que era do meu padrinho e reparei que há lá obras de modernização. Seja quem for o dono, mandou cortar o bico da horta e abrir um portão com largura para entrar um carro, no entroncamento da estrada de Barcelos com a Rua de Talho. Pode ser que assim aquela casa, onde fui muito feliz, volte a ganhar vida como tinha nos tempos da Tia Beatriz, a quem eu chamava madrinha e, de vez em quando, me adoçava a boca.

Além de outras memórias, essa casa foi onde o meu pai trabalhou até ir para a tropa, depois de sair da Casa do Loureiro de Gueral. E ali deve ter conhecido a minha mãe que, nessa altura, morava no Lugar de Talho, em casa da Tia Luísa, uma velhota solteira que morava nuns anexos da Casa do Torres, nas costas da casa dos Ferreiras, pais da D. Clementina, professora das meninas de Macieira.

O meu padrinho tinha a mania da caça. Além de comer e beber era do que mais gostava. Um dia montou uma ratoeira para apanhar um texugo que lhe andava a estragar o milho num campo que tinham junto ao rio de Cabanelas. E conseguiu apanhá-lo e depois trouxe-o vivo para casa e prendeu-o ao cadeado, onde costumava estar o cão de guarda à porta de casa. Nesse dia, movido pela curiosidade, fui beijar a mão ao meu padrinho e a Tia Beatriz convidou-me para almoçar com eles. Foi um dia em grande que nunca mais esqueci.

Hoje, tantos anos depois destes acontecimentos (pelo menos 70 anos) estava aqui a pensar em Macieira e nas poucas memórias que guardo dessa freguesia, onde nasci, e achei boa ideia deixar aqui registado aquilo que me ia passando pela cabeça. Talvez alguém interessado nestas leituras (da net) ao pesquisar pela palavra "Macieira" ou então "Couto" venha aqui parar e fique a saber que há alguém que testemunhou a vida dos moradores daquela casa que anda agora em obras de que o David fazia parte e, suponho eu, foi o último a morrer.

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Ferreira de Lemos!

 


Saí de Macieira muito cedo, não admira que não me lembre de muita gente que viveu na primeira metade do Século X X, até porque era muito novo para fixar o nome de pessoas que na sua maioria eram conhecidas pelos seus nomes próprios ou alcunhas.

No entanto, no lugar da Igreja, ou Outeirinho, como viria a chamar-se depois, moravam tão poucas famílias que alguma lembrança me deveria ter ficado na memória. Mas não ficou e não vale a pena espremer os miolos, pois daí nada sairá. O melhor será perguntar a alguém que nunca tenha saído de Macieira e pode ser que encontre a resposta.

No ano de 1897, casaram Serafim Ferreira de Lemos e Ana Maria da Silva. Ele filho de António Ferreira Jr. e Ana Ferreira de Lemos e ela filha de Luís José da Silva e Ana da Silva, ficando a morar no lugar da Igreja.

Deste casal nasceram 5 filhos, sendo o mais velho o António, nascido em 1898. Depois nasceu o João, em 1900, a Ana, em 1902, o Joaquim, em 1903 e a Matilde, em 1904.

Procurei os poucos registos existentes, no século XX e apenas encontrei a notícia da morte de um dos filhos, quando tinha 2 ou 3 anos de idade. Dos outros 4, dois estão sepultados no cemitério da Agra, a Ana e o João (creio não estar enganado quanto ao serem irmãos). Pelo aspecto da campa que parece abandonada, não deve restar, em Macieira, qualquer descendente desta família. Acredito que a Junta de Freguesia deve saber a quem pertence a campa, terei que ir lá perguntar-lhes.

Tudo isto se resume ao facto de a minha bisavó Eusébia, bisneta do avô Jerónimo Ferreira, ter sido sepultada, no ano de 1939, naquela zona do cemitério e eu ter andado a tentar descobrir em qual campa. A Junta de Freguesia, nessa data, ainda não registava o lugar de sepultura de cada falecido, pelo que me vai ser muito difícil chegar a uma conclusão. Mesmo assim, há quem me garanta lembrar-se de ser uma das 3 últimas campas, das 3 filas do lado direito, ou seja uma de nove.

Mesmo que eu descubra a quem pertence a campa dos irmãos Ferreira de Lemos, não acredito que eles se lembrem de quem seria o inquilino anterior daquele espaço fúnebre. E estou a deixar isto, aqui registado, apenas para me servir de referência, no futuro.