Eu era um rapazinho curioso, quando abri os olhos para o mundo - aos 7 anos de idade - e comecei a ouvir falar nos «Do Jerónimo». Eles moravam todos no Outeiro, lugar com a maior altitude na nossa freguesia, onde também eu tinha nascido. Muitos anos mais tarde, ressuscitando as memórias da minha infância, e sabendo que toda essa gente usava o apelido de Sousa, admiti que esse meu antepassado se chamaria Jerónimo de Sousa. E quando via e ouvia o líder do PCP arengar as suas teorias comunistas na TV, pensava eu, lá está o meu avô Jerónimo a dizer asneiras!
Depois de meter as mãos à obra e dar vida à minha árvore genealógica, é que vim a descobrir que a mais famosa figura do lugar do Outeiro, neto de Gueral (os Ferreiras) e bisneto de Negreiros (os Álvares) se chamava, afinal, Jerónimo Ferreira. E que eu só não nasci Ferreira, porque o seu filho José decidiu abdicar do seu apelido em favor da sua mulher que era de Balazar e se chamava Souza. E todos ficaram Sousas até à minha mãe, Rita, assim como a sua mãe Maria, a sua avó Eusébia e o seu bisavô Joaquim.
Pegando, de novo, no fio das minhas recordações, a tia Rosa do Jerónimo era a minha vizinha mais próxima e várias vezes mencionada nas «Minhas Memórias». O tio David do Jerónimo era seu irmão e a tia Amélia do Jerónimo sua cunhada, pois do Jerónimo era o seu marido António que se pirou para o Brasil e nunca mais deu as caras por Macieira. Todos eles, a Rosa, o David e o António eram bisnetos do Sr. Jerónimo Ferreira e tinham, por conseguinte justificação para usar a alcunha.
No tempo presente, está em vias de extinção essa designação, pois «Os do Velho» com cruzamentos com «Os do Jerónimo», pelo casamento, têm vindo a prevalecer na nossa freguesia. Talvez por culpa do Manel do Velho, famoso taxista e cantoneiro da freguesia - foi ele quem me levou a Barcelos, no seu "bombo" preto, para fazer o exame da 4ª Classe, por ser filho da Maria do Velho e do David do Jerónimo. Hoje, os seu filhos, netos e bisnetos são os mais conhecidos membros da «Dinastia dos Velhos» e do Jerónimo já ninguém se lembra de lhes chamar.
O nosso avô Joaquim, cujo assento de casamento deixo acima, foi o primeiro Souza da família, perdendo o seu apelido Ferreira (do pai) em favor do Souza (da mãe), tal como pode constatar quem ler o documento com atenção. Dele nasceram os Sousas (já escrito com S), irmãos da minha bisavó Eusébia, que deram origem aos muitos Sousas da nossa grande família.
O apelido Araújo foi quem deu origem aos Velhos, desconhecendo eu a partir de quem e de quando começou a ser usado. Os Velhos da minha geração eram o tio António, o tio Salvador, o tio José e a tia Maria, todos casados e a morar no Outeiro, assim como uma irmã que morava no Outeirinho casada com um Alves. A Maria, tendo-se casado com o tio David do Jerónimo, foi quem cozinhou toda esta "açorda" e deu a supremacia aos «Do Velho»!
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